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  • Folha Técnica 812

    A ERVA BUVA, EM CAFEZAL, FOI OBSERVADA HOSPEDANDO COCHONILHA EM SUAS RAÍZES J.B. Matiello -Eng Agr Fundação Procafe e Osvaldo A. Silva -Eng Agr ex IBC e consultor Observações feitas em campo, em lavouras de café, mostraram que plantas da erva daminha Buva ou Voadeira podem ser hospedeiras de cochonilhas em suas raizes. A erva daninha Buva (Conyza bonariensis) é encontrada infestando áreas de cafezais em todas as regiões cafeeiras do Brasil. Essa infestação ocorre de forma grave, com altas populações dessa erva crescendo nas lavouras de café. A erva, como outras plantas daninhas, concorre com os cafeeiros, em água e nutrientes, e, ainda, pelo sombreamento, reduz a luminosidade em parte da folhagem dos cafeeiros, diminuindo sua fotossíntese. Os maiores problemas na infestação de Buva dizem respeito, de um lado, à facilidade de disseminação da erva, devida ao grande número de sementes produzidas e, pelo lado do controle, o problema está ligado à dificuldade de controle, pela resistência da erva ao glifosato, principal herbicida utilizada nas lavouras de café. A constatação agora realizada, verificando a infestação da cochonilha nas raízes da Buva, traz mais um problema. A possibilidade da Buva servir de fonte da praga, para dela atacar os cafeeiros. Essa ocorrência foi observada na região de Patrocínio MG, em cafezal adulto, sobre ervas que escaparam do controle com glifosato. O problema de ervas daninhas hospedando cochonilha em raízes é bem estudado no caso da cultura da mandioca, ocorrendo a cochonilha Protortona navesi, sendo indicada, como medida de controle, a eliminação das ervas, para reduzir a infestação na cultura. Conclui-se que a erva Buva, além de trazer dificuldades de controle em cafezais, pode apresentar mais um problema, o de constituir fonte de multiplicação de cochonilhas em suas raízes, com potencial de ataque aos cafeeiros.

  • Síntese do Mercado - Maio

    O mercado pede estratégia, não otimismo: eliminem a possibilidade de prejuízo enquanto é tempo! Os fundamentos de oferta e demanda, tal como safra recorde, recomposição de estoques, maior exportação, tendem a prevalecer sobre os fatores de suporte de curto prazo (estoques baixos, atraso da colheita, El Niño). O mercado já sinalizou essa direção com clareza. Esperar uma reversão expressiva das cotações, sem um evento climático severo que mude estruturalmente o cenário produtivo, é uma aposta de alto risco. O cenário é claramente baixista no médio prazo, com o peso da safra recorde brasileira ainda sendo absorvido pelo mercado ao longo dos próximos meses. Neste contexto, o produtor que ainda retém café da safra 2025 enfrenta uma janela estreita. Com a colheita avançando e mais café novo chegando ao mercado nas próximas semanas, a tendência é de compressão adicional dos prêmios. Vender o remanescente da safra 2025 agora, aproveitando os diferenciais ainda relativamente firmes do disponível, pode ser a decisão mais prudente. Já para os cafés da safra 2026, a estratégia comercial deve focar em eliminar possibilidade de prejuízos. Mas como? Comercializando uma parte dos primeiros lotes que produzirem para aproveitar o prêmio atual do disponível e travando uma parcela da produção a termo, pois, embora os preços futuros sejam inferiores aos atuais, seguem assegurando uma rentabilidade, que pode chegar à ordem de 50% a 100% a depender do custo, o que justifica a proteção. A ideia é que venda parcial dos primeiros lotes somada à trava para o segundo semestre garanta minimamente o break-even (ponto de equilíbrio) da operação, ou seja, o pagamento dos custos de produção, pois assim o produtor se protege de qualquer possibilidade de prejuízos que possa existir. Além disso, como no mercado de café, nada é impossível, é sugestivo que uma parcela seja retida estrategicamente para capturar eventuais janelas de alta geradas por fatores externos como câmbio, geopolítica ou, até mesmo, uma adversidade climática (torçamos para que não). Em síntese, o atual cenário exige atuação estratégica e ativa do produtor no mercado: proteção financeira hoje vale mais do que a aposta em uma alta cujos fundamentos de oferta e demanda, por ora, não sustentam. No momento, o mercado pede estratégia, não otimismo. Analista: João Marcelo Oliveira de Aguiar - Superintendente Executivo / Fundação Procafé

  • Folha Técnica 811

    CULTIVAR DE CAFEEIROS ARARA SE MOSTRA ALTAMENTE VIGOROSA J.B.Matiello, Lucas Bartelega e Bruno Meneguci -Engs Agrs Fundação Procafé Cafeeiros da cultivar arara vem mostrando boa recuperação, após vários ciclos de podas, assim evidenciando alto vigor das plantas. A cultivar arara foi desenvolvida a partir de uma planta híbrida entre o sarchimor e o icatu, sendo selecionada em gerações sucessivas, a partir da década da de 1980. Ao longo dos últimos 15 anos, a cultivar tem se mostrado, em ensaios, em diferentes regiões, quase sempre a mais produtiva. Além disso, tem se mantido com boa resistência contra a ferrugem e sempre apresenta boa qualidade dos frutos. Em trabalhos anteriores foram publicados resultados de produtividade de cafeeiros, da cultivar arara, em ensaios depois de alguns ciclos de esqueletamento. Na presente nota técnica objetiva-se relatar a condição de cafeeiros da cultivar arara, de um campo de observação, na Fda Experimental de Varginha, a cerca de 1000 m de altitude. O campo foi plantado em 2001, com 100 plantas e, nos últimos anos, foram realizados 4 ciclos de poda de esqueletamento. Observações feitas no campo, agora em 2026, mostraram esses cafeeiros apresentando vegetação intensa e alta carga pendente, conforme pode ser visto nas fotos ilustrativas. A estimativa de produtividade nessa safra é para mais de 100 scs por ha. Sabe-se que a boa recuperação das plantas, após podas drásticas, como o esqueletamento, é uma demonstração de vigor dos cafeeiros. Essa capacidade de recuperação da ramagem e a alta produtividade dos cafeeiros, observada no campo de demonstração é mais significativa diante da idade avançada das plantas, com 25 anos e do ciclo de poda também elevado, na 4a poda. Conclui- se, diante das observações efetuadas no campo, que cafeeiros da cultivar arara possuem alto vigor, uma característica muito importante para manter a lavoura produtiva por longo período, o que é uma necessidade, em se tratando de cultura perene, como a do café

  • Folha Técnica 810

    50 ANOS DE TECNOLOGIAS CAFEEIRAS Estamos completando 50 anos, na divulgação de tecnologias cafeeiras. Nesse período foram divulgados quase 13 mil trabalhos de pesquisa, visando melhorias na cafeicultura. Você está convidado a participar de uma edição muito especial, a 50ª , do Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, que vai acontecer, em Caxambu-MG, de 27-30 out/ 26. São, portanto, com muitos anos divulgando resultados tecnológicos, dando base para os avanços observados na cafeicultura brasileira. O Congresso visa reunir Técnicos - pesquisadores e extensionistas - e liderança de cafeicultores, buscando apresentar, discutir e difundir os últimos resultados e inovações oriundas dos trabalhos de pesquisa. Participantes das várias regiões cafeeiras do Brasil, das variadas Instituições, estarão presentes, trocando informações, que chegarão até os produtores na forma de práticas racionais e mais econômicas, para o manejo dos cafezais. No Congresso, mais de 600 participantes estarão nas sessões, as quais estão programadas abrangendo os diferentes setores da cultura cafeeira, desde a genética das variedades, a implantação dos cafezais, seus tratos culturais, até a colheita, preparo e qualidade do café. Foram organizados, também, Seminários de fim de tarde, onde são debatidos temas mais importantes do setor da produção cafeeira, com palestras de especialistas renomados.Fazem parte , ainda, da Programação, a exposição de Empresas fornecedoras de insumos usados nas lavouras de café e, no último dia, são demonstrados, em dia de campo, nesse ano na Fazenda Experimental de Varginha, resultados obtidos nos experimentos, mostrados ao vivo, coroando o encerramento do evento ali no campo, onde os resultados da pesquisa realmente devem chegar

  • Folha Técnica 809

    FUSARIOSE TARDIA MATA PLANTAS DE CAFÉ J.B. Matiello, Lucas Bartelega e Bruno Meneguci -Engs Agrs Fundação Procafé Uma fusariose, ainda pouco conhecida, vem afetando plantas mais velhas de café, levando-as à morte. A fusariose, como o nome indica, é causada por fungos do gênero Fusarium, que ataca várias culturas agrícolas. A doença tem como característica principal o ataque do fungo junto aos vasos do lenho, no tronco e ramos, com isso interrompendo a passagem da seiva e comprometendo o desenvolvimento das plantas. O cafeeiro da espécie C. arabica tem se mostrado pouco suscetível à fusariose, não havendo, no geral, problemas dessa doença em plantas jovens de café. Já, na espécie C.canephora tem havido, nos últimos anos, ataques severos, provocados pelas espécies Fusarium decemcellulare, F. lateritium e F. solani. A presente nota técnica tem por objetivo relatar observações sobre a ocorrência de uma fusariose tardia, ou seja, o ataque da doença em plantas velhas de café. Esse ataque se inicia na medida em que os cafeeiros são podados e, nesse caso, a entrada do fungo ocorre pela porção do caule submetido à poda. A entrada da fusariose, a partir do ponto onde é efetuada a poda do tronco, fica evidente ao se observar que em uma planta decotada, os sintomas da doença começam, exatamente, no topo da planta e, daí a seca da copa vai descendo, até chegar a matar a planta. A constatação de que se trata da fusariose, em plantas velhas de cafeeiros, pode ser feita através do corte, com faca, do tronco, logo abaixo da casca. Ali, podem ser observadas listras escuras e avermelhadas, ao longo dos vasos (ver ilustração).. No campo a doença pode ser observada de longe, com a morte parcial e seca de parte da copa e, com a evolução, a planta vai ficando fraca, na medida em que a parte morta da copa vai aumentando e leva até à morte dos cafeeiros. Esses sintomas podem ser observados nas ilustrações aqui incluídas. Os prejuízos pela fusariose tardia consistem na perda parcial ou total da copa e, consequente perda de área produtiva e, pela morte, ocorre perda de stand de plantas da lavoura. Para retardar o problema, uma forma de controle, que visa retardar o problema, consiste em efetuar uma poda bem abaixo da parte afetada do tronco, assim reduzindo a parte do tronco com vasos entupidos, e esperar a brotação, que pode prolongar a vida das plantas.

  • Folha Técnica 808

    FORTE INFESTAÇÃO DE MUSGO EM TRONCO E RAMOS DE CAFEEIROS J.B. Matiello e Marcelo Jordão Filho - Engs Agrs Fundação Procafé Foi observada, recentemente, uma forte infestação de ervas musgo ao longo do tronco e ramos de cafeeiros. Plantas do tipo musgo são plantas não vasculares briófitas, as quais não possuem nem ramos nem raízes. Elas absorvem agua e nutrientes do ar, em toda a superfície da planta. A classe mais comum de musgos é a Bryopsida. Os musgos são plantas clorofillicas, fazendo fotossíntese e, geralmente, são de cor verde. A ocorrência de musgos em plantas de café já foi relatada sobre o substrato, na superfície da sacola, em mudas de café. Já foi observada, também, sobre troncos de café em plantas mortas. Na presente nota técnica objetiva-se relatar uma ocorrência nova. Trata-se de uma forte infestação de musgo sobre o tronco e ramos laterais mais grossos, de lavoura de café bem conduzida e em pleno vigor vegetativo. A constatação foi feita em cafezal no município de Ibiraci, a 1100 m de altitude, em cafeeiros da variedade Catucai 2 SL, com plantas aos 22 anos de idade. Em janeiro de 2026 foi verificado que os troncos das plantas, de baixo até em cima, e alguns ramos laterais, em sua parte grossa, se encontravam completamente cobertos por uma grossa camada de musgo verde, conforme pode ser visto nas fotos ilustrativas. Sabe-se os musgos se desenvolvem melhor em ambientes úmidos e sombrios. Na presente constatação de fato havia sombra, pela folhagem da copa dos cafeeiros, porém, quanto à umidade, não havia acúmulo de água na lavoura. O maior desenvolvimento dos musgos pode estar ligado a uma condição da presença de casca mais grossa no tronco dos cafeeiros, mais velhos, e onde pode estar se acumulando mais umidade. Quanto ao efeito da infestação de musgos não se observa, até momento, prejuízos, certamente por eles se desenvolverem, somente, sobre a casca do tronco, sem interferências no processo interno, de translocação da seiva pela ramagem. Caso venham a ser constatados danos, em futuro e em outros casos, adianta-se o resultado de pesquisa anterior, que mostra eficiência do herbicida Clorimuron no controle dos musgos, quando sobre substrato da sacolinha, em mudas.

  • Folha Técnica 807

    MUMIFICAÇÃO DE FRUTOS DE CAFÉ, POR EFEITO FISIOLÓGICO J.B.Matiello e Lucas Bartelega - Engs Agrs Fundação Procafé e Denilson Luis Pelloso. -Eng Agr Consultor em cafeicultura A mumificação de frutos de café tem sido muito frequente e uma das causas mais importantes tem origem em problemas fisiológicos. Existe, ainda, mumificação de frutos chumbinhos por ataque de patógenos - fungos ou bactérias. Na presente nota técnica objetiva-se detalhar as condições de ocorrência da mumificação por efeito da falta de reservas das plantas, pois suas características são menos conhecidas. A mumificação de frutos em cafeeiros significa sua morte, junto às rosetas, assumindo cor bem escura, ali ficando presos, isolados ou junto com frutos normais, estes mantendo a cor verde. A mumificação por efeito fisiológico acontece por falta de reservas na planta. Assim, os frutos menores, por efeito dreno, sofrem e acabam morrendo, uma vez que ocorre o aproveitamento prioritário das reservas pelos frutos maiores. Esses frutos, debilitados, ou caem ao chão ou morrem presos nos ramos, assim caracterizando a mumificação. Pode-se distinguir esse abortamento e posterior mumificação pela coloração dos frutos. Inicialmente eles se mostram murchos, ficam com cor chumbo e, rapidamente, vão escurecendo, ficando pretos no final. No caso da mumificação dos frutinhos por ataque de patógenos, assim com causa fitopatológica, eles ficam escuros desde logo e, nesse caso, pode-se observar sintomas da doença também nas folhas e ramos. Os frutinhos mumificados podem apresentar, mais adiante, o ataque de fungos saprófitas, sendo comum aparecer uma massa, de cor branca ou cinza, cobrindo os frutos mais apodrecidos, sendo essa massa constituída por micélio e frutificação desses fungos saprófitas.

  • Folha Técnica 806

    COMO ESCOLHER MELHOR AS VARIEDADES DE CAFÉ A PLANTAR J.B. Matiello, Lucas Bartelega e Marcelo Jordão Filho -Engs Agrs Fundação Procafé e Carlos H.S.Carvalho -Eng Agr Pesquisador Embrapa Café A cafeicultura brasileira está em uma fase de expansão, com novos plantios de cafeeiros em grande escala. Então é hora de escolher bem as melhores variedades a serem plantadas, para garantir altas produtividades nas lavouras, o que é essencial para maior retorno econômico ao produtor. A boa escolha das variedades de café é importante, primeiro por ser uma cultura perene, cultivada por muitos anos, então a escolha, correta ou incorreta, vai ter efeito por longo período. O segundo ponto é que o custo de implantação da lavoura de café é bastante alto e ter de trocar a lavoura, por ter adotado uma variedade inadequada, custa muito. Por último, deve-se considerar que a variedade, através da genética das plantas, vai levar todas as características desejadas, as quais, através de um bom manejo das práticas de cultivo, vão expressar todo seu potencial. A gente costuma comparar a escolha da variedade de café ao casamento. Se o par for bem forma -se uma família com bons frutos. Mas se a escolha não der certo e se o enlace for desfeito vai haver perdas, morais e patrimoniais. Na seleção das variedades de café, a serem plantadas, é preciso observar 3 aspectos principais - As características próprias da variedade, as condições da região e do sistema de manejo a ser adotado e o tipo do produtor, seus recursos tecnológicos. Quanto às características inerentes à genética da variedade são mais importantes - a capacidade produtiva e o vigor das plantas, o porte baixo, para facilitar o manejo , sua resistência a doenças e pragas e a boa qualidade dos frutos (tamanho e bebida). Deve-se observar, ainda, a maturação dos frutos, sendo o ideal combinar talhões com variedades de maturação precoce, média e tardia, para facilitar a colheita. Na adaptação das variedades, conforme as condições regionais e de cultivo, de acordo com o clima, relevo, sistema de plantio, adensado ou renque mecanizado, com ou sem irrigação etc, deve-se verificar resultados dos ensaios regionais, que mostram os melhores materiais genéticos, que vão bem naquelas condições em que se insere a área a ser plantada. Sabe-se que existem variedades mais e menos sensíveis a condições climáticas desfavoráveis e a sistemas de manejo menos intensivos.. Porém, é bem conhecido que existe um grupo de variedades, que foi devidamente testado, e que tem apresentado boa adaptação às variadas regiões produtoras. Por essa razão, variedades desse grupo dão mais segurança para serem indicadas e adotadas pelos produtores. A Fundação Procafe tem resultados de avaliação de dezenas de materiais genéticos, em várias regiões e com grande número de safras computadas, dando garantia da capacidade produtiva das variedades, em diferentes condições e a longo prazo. Outras Instituições também tem resultados de pesquisas sobre o comportamento de variedades. Cabe ao técnico que recomenda e ao produtor que vai adotar determinadas variedades observar os materiais que vem tendo bom desempenho na sua região, porém é ainda mais importante verificar os resultados e a indicação das pesquisas, pois elas são feitas com metodologia científica e, sempre, em comparações com o desempenho das variedades padrões - Catuai e Mundo Novo. Portanto, são informações muito mais segurass e que devem ser consideradas, ao invés de observar uma opinião puramente de âmbito ou vontade pessoal.

  • Folha Técnica 805

    ÁCARO VERMELHO DO CAFEEIRO ATACA MAIS PLANTAS DE VARIEDADES ROBUSTA J.B.Matiello -Eng Agr Fundação Procafé Observações em campo mostram que ataques do ácaro vermelho ocorrem mais em cafeeiros robustas em comparação com plantas de arábicas. O ácaro vermelho (Oligonichus O. olícis) é uma praga que ataca cafeeiros , afetando principalmente a folhagem, mas, também, pode atacar frutos. Na folhagem provoca, com seu aparelho bucal, raspaduras nas células da epiderme, para se alimentarem do liquido, que tornam as folhas de cor avermelhada, até amarronzadas. Com ataque severo causa desfolhas, especialmente do ponteiro das plantas. As condições favoráveis ao ataque do ácaro são períodos quentes e secos e os desequilíbrios de inimigos naturais (outros ácaros e insetos predadores), provocados por defensivos e por períodos de estiagens. O ácaro vermelho ocorre tanto em regiões de café arábica como de robusta/conilon. No entanto, tem sido observada sua preferência sobre cafeeiros robustas. Um exemplo bastante significativo, da preferência do ácaro vermelho por cafeeiros robusta foi verificado, recentemente, em lavoura situada na Zona da Mata de MG, a cerca de 480 m de altitude. Nessa área existem plantios de cafeeiros das duas espécies, arabica e canephora. Curioso foi verificar que cafeeiros da espécie canephora se mostram bem atacados, ao lado de plantas de arábica sem qualquer ataque, conforme pode ser visto na ilustração aqui incluída. A explicação para o maior ataque em cafeeiros robusta deve estar ligada aos seus componentes foliares, que favorecem a multiplicação dos ácaros. Como parecia ser, não está ligada ao ambiente mais quente onde é cultivado o robusta, ambiente esse que, sim, pode agravar o problema. Sabe-se, no entanto, que já foi identificado, em Colatina-ES, um clone de conilon com resistência ao ácaro vermelho. Diante da constatação da preferência do ácaro vermelho por cafeeiros robustas deve-se tomar mais cuidados nessas lavouras, evitando o uso de produtos defensivos que levem a desequilíbrios, entre os quais se destacam os inseticidas neonicotinóides e os piretroides ou, então, sempre associá-los com acaricidas.

  • Folha Técnica 804

    MUDAS DE CAFÉ DEVEM SER ACLIMATADAS OU ENDURECIDAS, ANTES DO PLANTIO J.B.Matello e Lucas Bartelega -Engs Agrs Fundação Procafé.   Tem sido observado, na prática, que é muito importante que as mudas de café só sejam destinadas ao plantio, no campo, após sua aclimatação ao sol ou ao seu endurecimento hormonal. As mudas de café, em sua grande maioria, são produzidas em viveiros sob ambiente sombrio, tipo meia-sombra. Isso se deve a que as plantas de café, quando novas, têm sua fotossíntese e, consequentemente, seu desenvolvimento, acelerados em ambiente com menor luminosidade. No entanto, as recomendações do manejo do viveiro devem prever um período de 20 -30 dias de aclimatação ao sol, com retirada gradual da cobertura, antes de levar essas mudas ao campo. Mudas mal aclimatadas sofrem rapidamente no campo. Logo murcham, apresentam queimaduras e secas de folhas e exigem molhações mais frequentes, pois senão ocorrem mortes e perdas, com necessidade de replantio. Nos viveiros comerciais, hoje responsáveis pela grande parte do fornecimento de mudas aos cafeicultores, nem sempre se torna conveniente aclimatar as mudas. Essa aclimatação exige tempo, exige movimentação da cobertura, exige mais água na rega e, também, torna as mudas mais amareladas e mais “feias”,  isto aos olhos dos clientes. Mudas sem aclimatação são facilmente reconhecidas. Possuem folhas de coloração verde escura, as folhas novas são grandes e molengas e sua ponta tomba com facilidade. Uma maneira bem simples de adaptar as mudas, para as condições de campo, consiste no seu endurecimento por aplicação hormonal. Para isso, indica-se o uso do Triadimenol, um fungicida e hormônio, que freia o crescimento vegetativo das mudas e aumenta seu sistema radicular fino. Esse produto é encontrado no mercado sob a formulação Premir Plus, que contém 25% de Triadimenol. A recomendação é aplicar o produto, em rega, sobre as mudas, a partir do estágio de 4 pares de folhas, na dose equivalente a 1,5 ml para cada 100 mudas. As folhas das mudas tratadas com o Triadimenol amadurecem, ficam acosteladas, tomam uma coloração verde claro e o caule fica endurecido. Ocorre a multiplicação das raizes finas. Essas mudas, depois, no campo, com a adubação nitrogenada , voltam a crescer normalmente, com ritmo mais acelerado, pois agora possuem uma melhor relação de suas raizes com a parte aérea. O sistema de tratamento hormonal citado também é útil caso as mudas estejam ficando muito grandes e ainda não se tenha condições de plantio . O tratamento paralisa temporariamente o crescimento das mudas e, se necessário, pode ser re-aplicado. Em mudas maiores deve-se aumentar a dose para 2 ml cada 100 mudas

  • Folha Técnica 803

    CULTIVO DE CAFÉ NO SISTEMA ORGÂNICO EXIGE CUIDADOS ESPECIAIS PARA ALCANÇAR BOA PRODUTIVIDADE J.B.Matiello -Eng Agr Fundação Procafé e Lucas Franco, Lucas H. Figueiredo, José Emanuel A. Pinto e Fernando Figueiredo -Engs Agrs Fazendas Sertãozinho Cultivar lavouras de café no sistema orgânico não é tão simples quanto parece. Caso não sejam adotados alguns cuidados especiais a produtividade obtida vai ser baixa. O cultivo ou manejo orgânico de um cafezal compreende o uso de práticas agrícolas sem fertilizantes, herbicidas ou defensivos de natureza química. Com isso as respostas das plantas de café são mais lentas, ou seja, fica mais difícil corrigir os problemas que aparecem, como determinadas deficiências nutricionais, a ocorrência de praga ou doença e a competição do mato. Isso de forma rápida, com as vezes é preciso. Existem menos informações sobre o cultivo de café orgânico, quando comparado com o convencional. Deste modo, colocamos aqui algo que evidenciamos, na prática, manejando cerca de 40 ha de cafezais orgânicos,  já por 8 anos. O primeiro cuidado a observar é a escolha da variedade. Nesse aspecto deve-se dar preferência a variedades com maiores níveis de resistência a doenças e pragas e ainda que tenham capacidade de indução floral mais fácil. Essa última característica é mais importante nas áreas mais frias. O uso de adubos orgânicos, em doses elevadas e constantes suprem, continuadamente, os cafeeiros de nutrientes e pode haver excesso de N, as plantas ficando verdes e bonitas, mas com pouca florada.Nesses casos, experiências de campo mostram efeitos positivos do corte temporário do uso de estercos, para voltar ao equilíbrio. O aspecto de excesso vegetativo e deficiência na floração pode ser comprovado pelo fato de plantas mais jovens, com boa insolação e, também, mais velhas , porém na beira de carregadores, serem sempre mais produtivas. O segundo aspecto é ter mais cuidado no controle do mato, usando roçadas mas, também, capinas, pois como não se pode repor nutrientes de forma rápida, não se deve permitir maiores concorrências com as ervas. O terceira regra a observar é não exagerar no uso de estercos, pois os próprios experimentos de adubação orgânica mostram aumento de produtividade dos cafeeiros com elevação das doses usadas, mas com doses excessivas ocorrem perdas. No que tange a pragas e doenças não se torna fácil controlar. O uso de variedades resistentes ajuda bem. No caso de doenças produtos fungicidas cúpricos são permitidos, mas exigem grande número de aplicações. Quanto às pragas deve-se tentar voltar ao equilíbrio, com o uso de produtos biológicos, porém eles tem baixa eficiência e o equilíbrio nem sempre é obtido, pois podem existir lavouras vizinhas que vão disseminar as pragas para as áreas em processo de equilíbrio. Praticas que se mostram muito adequadas ao cultivo orgânico são o sistema de poda safra zero e, para pequenos produtores, algo de arborização da lavoura.

  • Boletins Avisos Fitossanitários - Março 2026

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