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Folha Técnica 803

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

CULTIVO DE CAFÉ NO SISTEMA ORGÂNICO EXIGE CUIDADOS ESPECIAIS PARA ALCANÇAR BOA PRODUTIVIDADE

J.B.Matiello -Eng Agr Fundação Procafé e Lucas Franco, Lucas H. Figueiredo, José Emanuel A. Pinto e Fernando Figueiredo -Engs Agrs Fazendas Sertãozinho


Cultivar lavouras de café no sistema orgânico não é tão simples quanto parece. Caso não sejam adotados alguns cuidados especiais a produtividade obtida vai ser baixa.


O cultivo ou manejo orgânico de um cafezal compreende o uso de práticas agrícolas sem fertilizantes, herbicidas ou defensivos de natureza química. Com isso as respostas das plantas de café são mais lentas, ou seja, fica mais difícil corrigir os problemas que aparecem, como determinadas deficiências nutricionais, a ocorrência de praga ou doença e a competição do mato. Isso de forma rápida, com as vezes é preciso.


Existem menos informações sobre o cultivo de café orgânico, quando comparado com o convencional. Deste modo, colocamos aqui algo que evidenciamos, na prática, manejando cerca de 40 ha de cafezais orgânicos,  já por 8 anos.


O primeiro cuidado a observar é a escolha da variedade. Nesse aspecto deve-se dar preferência a variedades com maiores níveis de resistência a doenças e pragas e ainda que tenham capacidade de indução floral mais fácil. Essa última característica é mais importante nas áreas mais frias. O uso de adubos orgânicos, em doses elevadas e constantes suprem, continuadamente, os cafeeiros de nutrientes e pode haver excesso de N, as plantas ficando verdes e bonitas, mas com pouca florada.Nesses casos, experiências de campo mostram efeitos positivos do corte temporário do uso de estercos, para voltar ao equilíbrio. O aspecto de excesso vegetativo e deficiência na floração pode ser comprovado pelo fato de plantas mais jovens, com boa insolação e, também, mais velhas , porém na beira de carregadores, serem sempre mais produtivas.


O segundo aspecto é ter mais cuidado no controle do mato, usando roçadas mas, também, capinas, pois como não se pode repor nutrientes de forma rápida, não se deve permitir maiores concorrências com as ervas.


O terceira regra a observar é não exagerar no uso de estercos, pois os próprios experimentos de adubação orgânica mostram aumento de produtividade dos cafeeiros com elevação das doses usadas, mas com doses excessivas ocorrem perdas.


No que tange a pragas e doenças não se torna fácil controlar. O uso de variedades resistentes ajuda bem. No caso de doenças produtos fungicidas cúpricos são permitidos, mas exigem grande número de aplicações. Quanto às pragas deve-se tentar voltar ao equilíbrio, com o uso de produtos biológicos, porém eles tem baixa eficiência e o equilíbrio nem sempre é obtido, pois podem existir lavouras vizinhas que vão disseminar as pragas para as áreas em processo de equilíbrio.


Praticas que se mostram muito adequadas ao cultivo orgânico são o sistema de poda safra zero e, para pequenos produtores, algo de arborização da lavoura.



 
 
 

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