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Síntese do Mercado - Maio

  • 11 de jun.
  • 2 min de leitura

O mercado pede estratégia, não otimismo: eliminem a possibilidade de prejuízo enquanto é tempo!


Os fundamentos de oferta e demanda, tal como safra recorde, recomposição de estoques, maior exportação, tendem a prevalecer sobre os fatores de suporte de curto prazo (estoques baixos, atraso da colheita, El Niño). O mercado já sinalizou essa direção com clareza. Esperar uma reversão expressiva das cotações, sem um evento climático severo que mude estruturalmente o cenário produtivo, é uma aposta de alto risco. O cenário é claramente baixista no médio prazo, com o peso da safra recorde brasileira ainda sendo absorvido pelo mercado ao longo dos próximos meses. Neste contexto, o produtor que ainda retém café da safra 2025 enfrenta uma janela estreita. Com a colheita avançando e mais café novo chegando ao mercado nas próximas semanas, a tendência é de compressão adicional dos prêmios. Vender o remanescente da safra 2025 agora, aproveitando os diferenciais ainda relativamente firmes do disponível, pode ser a decisão mais prudente. Já para os cafés da safra 2026, a estratégia comercial deve focar em eliminar possibilidade de prejuízos. Mas como? Comercializando uma parte dos primeiros lotes que produzirem para aproveitar o prêmio atual do disponível e travando uma parcela da produção a termo, pois, embora os preços futuros sejam inferiores aos atuais, seguem assegurando uma rentabilidade, que pode chegar à ordem de 50% a 100% a depender do custo, o que justifica a proteção. A ideia é que venda parcial dos primeiros lotes somada à trava para o segundo semestre garanta minimamente o break-even (ponto de equilíbrio) da operação, ou seja, o pagamento dos custos de produção, pois assim o produtor se protege de qualquer possibilidade de prejuízos que possa existir. Além disso, como no mercado de café, nada é impossível, é sugestivo que uma parcela seja retida estrategicamente para capturar eventuais janelas de alta geradas por fatores externos como câmbio, geopolítica ou, até mesmo, uma adversidade climática (torçamos para que não). Em síntese, o atual cenário exige atuação estratégica e ativa do produtor no mercado: proteção financeira hoje vale mais do que a aposta em uma alta cujos fundamentos de oferta e demanda, por ora, não sustentam. No momento, o mercado pede estratégia, não otimismo.


Analista: João Marcelo Oliveira de Aguiar - Superintendente Executivo / Fundação Procafé

 
 
 

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