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- Folha Técnica 830
MONTAGEM DE ROCAMBOLE, DE MUDAS DE CAFÉ DE BANDEJAS, PARA FACILITAR O TRANSPORTE J.B.Matiello, Lucas Bartelega e Alisson Carli -Engs Agrs Fundação Procafé e Pedro A. S. Araújo - Eng Agr Coocafe Foi desenvolvido e testado um sistema, tipo rocambole, para acondicionamento de mudas de café, produzidas em bandejas, para tornar mais fácil o transporte dessas mudas a maiores distâncias. As mudas de café podem ser formadas em diversos tipos de recipientes, sendo as sacolinhas plásticas, os tubetes, as sacolas de TNT, as bandejas plásticas e os paper pots. Na formação em bandejas as mais usadas são as de plástico preto, nas dimensões de 53x 27 cm, com 32 células, cada qual comportando cerca de 230 ml de substrato. As mudas formadas em bandejas têm as vantagens de - ocupar menor espaço no viveiro, as bandejas, com cuidados, podem ser reutilizadas e com substrato artificial podem evitar contaminação por nematóides. Um dos problemas das mudas em bandejas tem sido o transporte. Nesse aspecto elas podem ser colocadas em caixas e então transportadas, porém ainda persiste a dificuldade de manuseio e danos das bandejas no campo e, ainda, tem sido difícil o processo de retorno dessas bandejas para os viveiros. Na presente nota técnica objetiva-se relatar o desenvolvimento e testagem de uma forma de embalar as mudas de café formadas em bandejas. O trabalho foi realizado na Fda Experimental, da Fundação Procafé, de Lajinha, com mudas de 6 pares de folhas, formadas em bandejas de 32 células, estas com formato quadrado em sua parte superior. A ideia foi de embalar em faixa plástica, na forma de rocambole, sistema muito usado para mudas de eucalipto formadas em tubetes e, em menor escala, também para mudas clonais de café robusta, também formadas em tubetes. O sistema desenvolvido usou uma faixa de plástico fino, de 30 cm de largura por 1,5 m de comprimento, sendo dobrada ao meio, longitudinalmente. Dentro dessa faixa foram colocadas, lado a lado, as mudas retiradas das bandejas, o plástico suportando o torrão das mudas. Cada embalagem foi feita com 30 mudas. Em seguida, a faixa é enrolada, na forma de um rocambole e, no final, presa com uma fita colante, ficando o conjunto na forma de um cilindro. Foi observado que as mudas com o torrão de formato quadrado, ao serem enroladas, tomam a forma ligeiramente cilíndrica, mas sem prejudicar o bloco com as raízes. Uma outra opção testada foi a de usar a mesma faixa plástica, indo e voltando e daí fazendo um bloco retangular ao invés de redondo, este sistema sendo melhor para mudas com torrão vindo de bandejas de formato quadrado. Cada fileira de mudas ficou com 7 unidades e foram montadas 4 fileiras, totalizando, cada embalagem, 28 mudas, estas podendo ser vistas nas fotos ilustrativas, em seguida. Feita essa embalagem pode-se transporta-la em sacos ou em caixas. Conclui-se que - é viável embalar mudas de café formadas em bandejas, em faixas plásticas, facilitando o transporte e, ainda, preservando as bandejas, para reuso.
- Boletins Avisos Fitossanitários - Setembro 2026
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- Folha Técnica 829
DIFERENCIAL DE QUALIDADE DE BEBIDA ENTRE FRUTOS MADUROS E SECOS NO PÉ, EM CAFEEIROS NA ZONA DA MATA DE MINAS J.B.Matiello e Alisson Carli -Engs Agrs Fundação Procafe e Pedro A. S. Araújo -Eng Agr e Tiago dos Reis Martins – Classificador - Provador de Café- Coocafe A zona da Mata de Minas Gerais possui uma grande área cafeeira de cafés arábicas, com lavouras se desenvolvendo nas montanhas, entre altitudes de 500 a 1200 m. A condição climática da região favorece o crescimento e a produtividade dos cafeeiros, porém, em certos anos, a umidade do ambiente fica alta no período de colheita, o que favorece fermentações nos frutos e dificulta a qualidade da bebida dos cafés. Esse problema é mais crítico nas áreas de altitude mais baixa e em anos de inverno mais chuvoso. A qualidade da bebida do café, além do aspecto climático, depende dos sistemas de colheita e de preparo dos frutos. Como a colheita é feita por derriça, os cafés colhidos possuem frutos com os vários estágios de maturação, os quais podem estar afetados, com maior ou menor grau de fermentação vinda do campo. No presente trabalho objetivou-se avaliar a qualidade da bebida oriunda de frutos secos e de maduros no pé, nas condições da Zona da Mata de Minas. O trabalho foi feito no período de junho a agosto de 2026, na Fda Experimental da Fundação Procafe, em Lajinha. Foram colhidos frutos de café em lavoura da cultivar Catucai amarelo 785-15, em área com altitude de cerca de 700 m. Do café colhido, das mesmas plantas, foram compostas amostras, de 10 litros cada, com separação, manual, dos frutos secos dos maduros. A secagem das amostras foi feita ao sol, sobre peneiras individualizadas. Depois dos frutos atingirem o ponto ideal de seca, com grãos com 12% de umidade, foi feito o beneficiamento das amostras e envio para determinação da bebida, através de 3 provadores habilitados, da Cooperativa local - a COOCAFE. Resultados e conclusões Os resultados das provas de bebida, das amostras de grãos de café, correspondentes aos frutos colhidos secos e maduros constam da tabela 1. Verificou-se que as amostras de frutos secos no pé resultaram em bebida padrão Rio, enquanto as oriundas de grãos de frutos maduros deram bebida Dura, portanto de padrão superior. Esses resultados diferenciais, de qualidade de bebida, evidenciam a influência de fermentações, que levaram à depreciação da bebida nos frutos secos, pós maturação, ocorridas ainda nas plantas. Como já citado, essas fermentações indesejáveis são influenciadas pelo ambiente mais úmido e quente. Ao verificar a condição de chuva ocorrida na área da lavoura, com dados da Estação climática da Fda Experimental, observa-se que, no período de maturação e colheita, de abril a junho, choveu 197,6 mm. Conclui-se que – Existem dificuldades de obter padrões superiores de bebida de café, em condições de ambiente mais úmido, já que os frutos, secos nos pés, podem vir, já, ferementados e resultar em bebida Rio. A separação dos cafés, na fase pós-colheita, pode resultar numa parcela de cafés (cerejas) de boa bebida, mesmo nessa condição úmida.
- Folha Técnica 828
EFICIÊNCIA DO CONTROLE DE ERVAS DANINHAS EM VIVEIROS, COM USO DO HERBICIDA HALOXIFOPE P-METILICO, EM PÓS EMERGÊNCIA DAS MUDINHAS DE CAFÉ J.B. Matiello- Eng Agr Fundação Procafé e Celio Coelho- Tec Agr Os viveiros de mudas de café podem ser infestados por ervas daninhas, que precisam ser controladas, para evitar sua concorrência com as mudas. O processo normal de controle dessas ervas consiste em seu arranquio manual. O controle químico, através de herbicidas, é viável antes da germinação das sementes de café, com o uso de produtos com base em Glifosato e Diquat, os quais matam as ervas sem deixar resíduos prejudiciais sobre o substrato. O uso de herbicidas, após a germinação das mudas, exige cuidados e produtos muito seletivos. Um trabalho com testagem dos herbicidas a base de Cletodin e Clorimuron foi realizado, com bons resultados, porém com seu uso sobre mudas de café maiores. Surgiram dúvidas sobre a ação de herbicidas na condição de mudas de café ainda novas, nos estágios de palito de fósforo e orelha de onça, estágio em que são mais sensíveis a efeitos fito tóxicos. Na presente folha técnica são relatados os resultados obtidos com o uso de produto a base de Haloxifope p- metílico, no controle de ervas sobre mudas de café recém-nascidas, em sua fase inicial de desenvolvimento. O estudo foi realizado sobre viveiro comercial, com 640 mil mudas, em propriedade no Sul de Goiás. O viveiro foi instalado com o uso de bandejas plásticas de 32 células e o substrato usado foi uma combinação de terra mais esterco de curral, 50% cada. Nesse viveiro a ocorrência de ervas foi muito grave, devido ao grande banco de sementes vindo junto com o esterco. Após o semeio do café, e antes de sua germinação, já foi preciso aplicar herbicida Glifosato. Mas, o problema de forte infestação de ervas voltou com a molhacão e as mudinhas, logo após germinação, ficaram abafadas pelo mato, com dominância da erva pé de galinha. Foi testado, sobre as ervas, o produto Verdict Ultra a base de Haloxifope p- metílico, com 900 g / litro. A dose usada foi de 300 ml por 200 l d’água. Foi usado o pulverizador costal manual com bico leque. As ervas tinham cerca de 10 cm de altura. O teste inicial foi feito em 2 canteiros, cada qual com 320 bandejas, ou cerca de 10 mil mudas cada. Depois dos resultados a aplicação foi feita em todo o viveiro. A avaliação da eficiência do herbicida foi feita aos 7 e 15 dias pós aplicação, com verificação da mortalidade das ervas e verificação dos efeitos sobre as mudinhas. Na amostragem foram adotadas 20 bandejas, ao acaso, de cada canteiro. As avaliações mostraram, já após uma semana, todas as ervas de fls finas, com dominância da erva pé de galinha, que houve seca geral das ervas, com controle total, sobrando, apenas, poucas ervas de folhas largas, que se encontravam sobre o substrato, principalmente a beldroega, as quais, depois do efeito do herbicida, foram arrancadas manualmente. Aos 15 dias verificou-se que o canteiro de mudas ficou limpo de ervas e as mudinhas, boa parte já em orelha de onça, não mostraram quaisquer sintomas de fitotoxidez. Conclui-se que – mesmo sobre mudinhas muito novas de café, em estágio de palito de fósforo ou orelha de onça, podem receber controle, de ervas de folhas finas, com o herbicida a base de Haloxifope p-metilico, com boa eficiência e sem afetar o desenvolvimento das mudas.
- Folha Técnica 827
EM ÁREAS DE MONTANHA E COM VARIEDADES DE CAFÉ CATUCAI A MELHOR CONDUÇÃO OCORRE SEM DESBROTAS DOS CAFEEIROS J.B.Matiello -Eng Agr Fundação Procafé Observações de campo, em diversas lavouras de café, conduzidas em áreas de montanha, na região Sul do Estado do Espírito Santo e Zona da Mata de Minas, mostram que vem sendo obtidas altas produtividades na condição de manejo sem desbrota das plantas. A cafeicultura de montanha se desenvolve em áreas de terrenos declivosos, com maiores áreas de cultivo localizadas na Zona da Mata de MG e Sul do Espírito Santo. Essas regiões vizinhas, dos dois estados, possuem condições ambientais e econômico-sociais semelhantes, com predominância de pequenas propriedades cafeeiras. As lavouras de café, pela topografia, são conduzidas com tratos manuais. As variedades de café do grupo Catucai são as mais cultivadas nas zonas de montanha, especialmente a 24/137 e a 785/15. Nessas variedades os cafeeiros emitem muitas brotações ortotrópicas. Os plantios são realizados em sistemas de espaçamentos mais adensados e os cafeeiros fecham mais rapidamente e vão perdendo ramagem na parte baixa das plantas. Nessa condição a produção vai ficando mais concentrada no topo das plantas. Na presente nota técnica objetiva-se relatar observações de campo, realizadas em diversas lavouras na cafeicultura de montanha, com cultivares de Catucai, onde a condução foi feita sem desbrota, com plantas com muitas hastes. As verificações em campo foram feitas na safra de 2026, em junho, em lavouras ainda com carga pendente, na região de Irupi e Iuna, no estado do Espírito Santo e em Lajinha-MG. Foram avaliadas lavouras adultas, em número de 14, sendo das cultivares Catucai amarelo 24/137 e do Catucai vermelho 785/15. Nessas lavouras os cafeeiros, com mais de 8 anos de idade, apresentavam, em média, 4-5 hastes por planta. Os resultados de produtividade obtidos nas lavouras de café avaliadas mostraram valores de 80-130 scs/ha, ou seja, produtividades muito elevadas. Verificou-se que a grande maioria da frutificação se encontrava nos ponteiros, das várias hastes das plantas, indicando que a manutenção sem desbrota foi favorável. Observou-se, ainda, que na poda aplicada por apreciação, com decote do ponteiro, apenas de plantas que sentem muito a carga, igualmente, deve ser conduzida sem desbrota, para ampliação da área produtiva no topo das plantas. Ressalta-se que na fase de formação das lavouras, durante os 3-4 primeiros anos, especialmente em plantios com menores distâncias na linha de cafeeiros, a desbota de formação deve ser efetuada.
- Folha Técnica 826
FUSARIUM CONCOLOR, CAUSADOR DE GRÃOS DE CAFÉ COM VENTRE AVERMELHADO, MUITO PRESENTE NA SAFRA 2025/26 J.B.Matiello - Eng Agr Fundação Procafe e A. A. Teixeira - Eng Agr ex IBC e Illycafe e José Maria Pontes- Eng Agr Consultor Os frutos de café, na lavoura, ficam sujeitos à colonização por vários fungos, alguns patogênicos, causando lesões e outros endofíticos e saprófitas, se desenvolvendo superficialmente, no tecido da casca dos frutos. Esses fungos saprófitas pertencem a vários gêneros, sendo os principais Penicillium, Aspergillus, Colletotrichum e Fusarium. Eles se desenvolvem a partir da maturação dos frutos e com maior intensidade quando os frutos se encontram nos estágios de passas e secos. Ao crescerem, sobre os frutos, os fungos saprófitas promovem fermentações, a maioria delas indesejáveis, que afetam, de forma negativa, a qualidade da bebida dos cafés. Na presente nota técnica objetiva-se relatar a condição diferenciada, ocorrida nas lavouras de café, na safra de 2026, com a presença mais frequente do fungo F. concolor. O fungo Fusarium concolor pode ser identificado através da sua frutificação e seus esporos, pela cor rosa ou salmão que possuem, cobrindo os frutos. Ele aparece mais sobre frutos secos, naqueles do pé e do chão. Nesse ano a ocorrência do F. concolor, de forma mais presente, deve estar relacionada com o período mais chuvoso e úmido no inverno, que facilitou o desenvolvimento do fungo e, ainda, em função do atraso na colheita. Nessa condição os frutos permaneceram mais tempo no campo, nas plantas e no chão. A ocorrência de F. concolor está correlacionada com o aparecimento de grãos de café com sua abertura ventral de cor avermelhada, vulgarmente chamado de grão paquetado. A maior ocorrência desse tipo de grão está associada aos frutos caídos ao chão, indicando que, o prolongamento da colonização do fungo se reflete em seu maior efeito, internamente, sobre os grãos. Via de regra esses cafés apresentam bebidas inferiores, de padrão Rio/ Ryado.
- Folha Técnica 825
NOVA FONTE DE RESISTÊNCIA AOS NEMATÓIDES M. PARANAENSIS E M. INCOGNITA EM CAFEEIROS J.B. Matiello, Leandro S. Andrade, Marcelo Jordão Filho, Lucas Ubiali e Lucas Bartelega - Engs Agrs Fundação Procafé e Gabriel Devoz –Eng Agr Bolsista Fundação Procafé – FEF As lavouras de café podem ser atacadas por várias espécies de nematóides, sendo que as espécies M. paranaensis e M. incognita são as que causam danos mais severos, provocando degenerescência geral das plantas, levando até à sua morte. No controle dos nematóides em cafeeiros podem ser usados sistemas com uso de nematicidas, químicos ou biológicos, ou lançando mão de variedades resistentes. A maioria das variedades de café arábica, em uso nas lavouras, são susceptíveis aos nematóides das espécies M. paranaensis e incognita, havendo boa resistência em 2 materiais genéticos, que vem sendo usados em plantios, sendo o IPR 100 e o 106. Porém, essas cultivares são suscetíveis à ferrugem, sendo desejável buscar alternativas de materiais arteriais que associem resistência múltipla. Na presente nota técnica objetiva-se relatar o desenvolvimento de uma nova fonte de cafeeiros, com resistência aos nematóides das espécies mais graves. O trabalho foi feito através de um ensaio de testagem em campo, com plantio sobre área infestada pelos nematóides M. paranaensis e incgnita, em Restinga -SP. O acompanhamento do desenvolvimento do desenvolvimento das plantas do ensaio e as avaliações foram feitos através da observação da morte e falhas das plantas e ainda do estado vegetativo e produtivo das plantas, ao longo dos anos e até aos 6 anos de idade. Foram utilizados, em comparação, os padrões resistentes IPR 100 e 106 e como suscetíveis os Catuais 62 e 144. As parcelas eram de 6 plantas e haviam 4 repetições ao acaso no ensaio. Na tabela 1 são apresentados dados de mortalidade/falhas de plantas nesses materiais, em comparação com o que foi observado no novo material em teste - a seleção Guará 20. Verifica-se que tanto os materiais dos IPRs como a nova seleção, de Guará 20, não apresentaram falhas por morte de plantas, devidas ao ataque dos nematóides. Já, nas parcelas de Catuai a mortalidade de plantas veio crescendo, com o efeito do ataque da praga, atingindo 50% das plantas mortas nas parcelas dessa cultivar susceptível. As plantas da seleção Guará 20, aos 6 anos de idade, se mostram em bom estado vegetativo, vigorosas, com a copa bem conformada e de tamanho normal, enquanto as de Catuai ou morreram ou se apresentam amareladas, com ramagem seca e em processo adiantado de depauperamento. Esses aspectos vegetativos podem ser observados na figura 1. Com base nesses resultados fica bem evidente a capacidade da seleção Guará 20 de manter boa resistência ao ataque da população de nematóides das espécies M. paranaensis e incognita, servindo como nova alternativa para plantio em áreas infestadas. Destaca-se que a seleção de Guara 20 tem, também, resistência à ferrugem. As suas plantas têm porte baixo, brotação nova de cor verde, frutos vermelhos e de maturação média. Ela tem origem na cultivar Guará, a qual veio do material de Catucai Vermelho, da cv 20/15.
- Boletins Avisos Fitossanitários - Agosto 2026
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- Folha Técnica 824
DESENVOLVIMENTO E TESTAGEM DE BANDEJA SEMEADORA PARA SEMENTES DE CAFÉ J.B. Matiello -Eng Agr Fundação Procafé e Cèlio Coelho – Tec. Agr. Na produção de mudas de café pode-se efetuar a semeadura das sementes diretamente sobre o substrato, nos recipientes ou, ainda, pode-se usar a semeadura em leitos de areia e depois fazer a repicagem das mudinhas. O semeio direto é a forma mais indicada, pois evita problemas de entortamento ou bifurcação das raízes. Esse semeio é feito manualmente, onde o trabalhador, com suas mãos, toma, com os dedos, duas ou uma semente, e coloca sobre a superfície do substrato, dentro das sacolinhas, tubetes, bandejas ou paper pots. O trabalho de semeio é feito individualmente, um a um, em cada recipiente de formação das mudas. Isso exige muito trabalho, sendo que um trabalhador consegue semear cerca de 3-4 mil recipientes por dia. O objetivo do presente trabalho foi desenvolver e avaliar uma bandeja semeadora, adaptada para o semeio em bandejas plásticas, de produção de mudas de café, visando aumentar o rendimento no semeio. Para esse trabalho foram usadas sementes da cultivar Arara e bandejas de 32 células. Amostras desses materiais foram entregues à empresa Semeart, de SP, especializada nesse setor, a qual construiu uma bandeja para essas condições. A bandeja possui uma área de depósito das sementes, em sua lateral, seguindo uma área com 32 cavidades. Com o movimento das sementes para essa área elas preenchem as cavidades, que comportam apenas 2 sementes. Em seguida, a bandeja é colocada sobre a bandeja plástica, cheia do substrato, e, com a abertura inferior das cavidades da bandeja, ocorre a liberação das sementes, assim semeando todas as 32 células de uma só vez. A testagem, para avaliação do desempenho do semeio, com a bandeja semeadora, foi feita em viveiro comercial, no município de Campo Alegre de Goiás, com a produção de 640 mil mudas. Avaliou-se o rendimento operacional do semeio e outras características do semeio. Resultados e conclusões – Verificou-se um rendimento no semeio de 175 bandejas por hora ou 5600 células, o que equivale ao semeio de cerca de 45 mil células por dia. Não foram verificadas falhas no semeio, apenas a ocorrência de pequenos erros, onde, por irregularidades normais no tamanho das sementes, caíram 1 ou 3 sementes em algumas células, o que não afeta a qualidade do trabalho, pois sempre se faz o raleio posterior das mudas, no estágio do primeiro par de folhas. Conclui-se que - foi possível desenvolver bandeja semeadora específica para semeio de café em bandejas plásticas de 32 células, com boa eficiência e alto rendimento operacional, com aumento de 10-12 vezes no número de células semeadas, em relação ao semeio manual normal.
- Síntese do Mercado - Agosto
Agosto encerrou com o mercado de café oscilando entre dois extremos. Chegou a testar 345,00 cents/lb e, em poucos dias, recuou para abaixo de 310,00 cents/lb. Esse vaivém não é ruído, mas sim o retrato de um mercado que segue sendo definido por uma tensão que ainda não se resolveu: de um lado, sinais consistentes de uma safra recorde, de outro, estoques mundiais em níveis historicamente apertados. Vivemos, ao mesmo tempo, a expectativa de uma safra global recorde (USDA 2026/27: 189,667 milhões de sacas) e estoques certificados na ICE Futures US nos menores níveis em 26 anos. Isso não é um mercado "de baixa" nem "de alta". É um mercado que está redistribuindo o risco entre dois eventos que ainda não aconteceram: a manutenção (ou não) do ritmo recorde de exportações e o real impacto (ou não) do El Niño na cafeicultura global. Diante disso, tudo leva a crer que quem já vendeu parte da safra fez a coisa certa ao não concentrar decisão num único momento de preço. A pergunta que fica agora é: o que fazer com o café que ainda resta no armazém? Para maiores detalhes, acessar a Síntese do Mercado Procafé – agosto/2026 Analista: João Marcelo Oliveira de Aguiar - Superintendente Executivo / Fundação Procafé
- Folha Técnica 823
PLANTIO DE CAFÉ NA MONTANHA EM COVAS MEIO CHEIAS J.B. Matiello, Lucas Bartelega e Alisson Carli – Engs Agrs Fundação Procafé e Pedro S. Araujo – Eng Agr Coocafé O objetivo da presente nota técnica é relatar observações de campo sobre o comportamento de plantas novas de café, em áreas de montanha, com plantio em covas, nas condições deixando parte do reenchimento abaixo da superfície do solo. O plantio de café em regiões montanhosas é feito, quase exclusivamente, de forma manual e as mudas são plantadas em covas, não em sulcos, estes usados em áreas mecanizáveis. Ultimamente surgiu uma opção, ainda usada em menor escala, de usar a abertura com escavadeira de esteiras, que se desloca morro abaixo. Na abertura de covas, para plantio de café, no passado era usual o enxadão, porém essa ferramenta foi substituída, quase totalmente, por uma perfuratriz motorizada de operação manual. A perfuratriz faz a cova no formato circular, com boa profundidade. Ela poupa esforços braçais e tem bom rendimento. Uma vez a cova aberta deve haver a mistura, da terra retirada com calcário e adubo fosfatado, retornando essa mistura para reenchimento da cova. Em plantio de café efetuado na Fda Experimental da Fundação Procafé, em Lajinha -MG, em área de solo lva, com declividade de cerca de 40%, foi avaliado o efeito do tipo de enchimento, no pegamento e desenvolvimento inicial das mudas plantadas. Foram comparados cafeeiros jovens em 2 sistemas de enchimento e plantio. O primeiro com o enchimento incompleto, deixando cerca de 7-10 cm sem encher e plantando a muda que, assim, ficava mais abaixo, em relação à superfície do solo. O segundo enchendo completamente a cova e plantando a muda, que ficava na superfície. Foram usadas mudas com 3-4 pares de folhas, formadas em bandejas plásticas. Após 3 meses do plantio foi avaliado o desempenho das plantas novas, nos 2 sistemas. Verificou-se que as mudas plantadas abaixo do nível do solo apresentaram melhor desenvolvimento inicial (ver tabela 1). Esse melhor comportamento se deve às melhores condições de suprimento de água e nutrientes, junto as mudas plantadas, na condição de covas semi-cheias, que coletam e armazenam, de forma mais eficiente, a água de chuvas ou de molhações de socorro efetuadas. Também, ocorre melhor aproveitamento dos fertilizantes, aplicados em cobertura, ao contrário das plantas ao nível do solo, onde a água e também os fertilizantes aplicados escorrem, devido ao declive e não atendem, de forma eficiente, as plantas novas. Gradativamente, com as chuvas, a abertura superior da cova vai sendo preenchida com terra e o plantio vai ficando mais fundo, o que, também, é indicado, pois, assim, o sistema radicular fica mais aprofundado e a planta vai sentir menos stress hídrico no futuro. Conclui-se que - em áreas montanhosas o plantio de café apresenta melhor desenvolvimento inicial, das mudas plantadas em sistema de covas com enchimento incompleto, as quais mantém uma cavidade superficial, e, assim, favorece maior coleta de água e nutrientes, para o crescimento das plantas no pós-plantio.
- Folha Técnica 822
CONTROLE DE ERVAS DANINHAS EM MUDAS DE CAFÉ EM BANDEJAS J.B. Matiello-Eng Agr Fundação Procafé, Célio Coelho -Tec Agr e Nicola. di Salvo e Frederico di Salvo -Engs Agrs Agropec. di Solo Uma das formas de produção de mudas de café consiste no uso, como recipiente, de bandeja plástica, a qual possui variado número de células onde fica contido o substrato de crescimento das mudas. As bandejas mais usadas para mudas de café tem sido as de 32 células, essas podendo ser cônicas ou piramidais e cada célula comporta cerca de 250 ml de substrato Os substratos comumente usados em bandejas de mudas são do tipo artificial, contendo fibra de coco, casca de pinus e turfa. Como esses substratos se tornam de custo elevado e, em muitas regiões, são difíceis de serem encontrados, diversos estudos têm sido realizados, para uso de materiais diversos, das próprias fazendas, para combinar com esses substratos, visando maior viabilidade econômica do sistema. Uma das combinações já estudadas consiste em misturas de substratos artificiais com esterco bovino. No entanto, tem havido problemas com sementes de ervas que vem com o esterco, crescendo no substrato, exigindo medidas de controle. O usual tem sido o arranquio das ervas com as mãos, mas isso exige gasto com muita mão de obra, o que onera o custo das mudas em grandes viveiros comerciais. Na presente nota técnica relata-se o estudo de testagem de herbicidas de pós emergência para controle das ervas em viveiros de mudas de café em bandejas. O trabalho foi feito em viveiro comercial, de 640 mil mudas de bandejas, no município de Campo Alegre-GO. No substrato foram usadas combinações com terra e esterco. Depois do semeio do café, e, com a rrigação diária ocorreu uma forte germinação de ervas. Nessa condição, de elevada infestação, foi testada a aplicação de herbicidas, à base de glifosato e de diquat, usados na concentração de 1% na calda. O momento adequado da aplicação foi considerado com as ervas bem novas e bem antes da germinação das sementes de café. Também, com o uso em ervas de menor tamanho foi possível usar doses menores dos herbicidas. Com ervas menores também procurou-se evitar o recobrimento do substrato com as ervas mortas pelos herbicidas. Para cada herbicida foram tratados 2 canteiros, com 10 mil mudas cada, deixando um canteiro sem tratar, como testemunha. O resultado do controle foi avaliado 15 dias após às aplicações dos herbicidas, determinando o percentual de plantas controladas. Verificou-se que houve um controle total das plantas daninhas, ficando a superfície do substrato, nas bandejas, completamente limpa de ervas. No tratamento com glifosato a morte foi mais lenta e com diquat foi mais rápida. No que se refere à germinação das sementes de café, avaliada 60 dias pós semeio, não foram observados efeitos negativos dos herbicidas, conforme era esperado, pois os produtos usados só atuam em pós emergência e se imobilizam ao cair no solo, com a argila e a matéria orgânica. Conclui-se que - em caso de necessidade, pode-se usar herbicidas de pós emergência, para controle de ervas daninhas que venham a crescer no substrato de formação de mudas de café em bandejas, isso antes das sementes de café germinarem.












