Folha Técnica 816
- 15 de jul.
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A irrigação em cafezais é uma prática recomendada, pois resulta em significativos aumentos de produtividade, na maioria das áreas cafeeiras, em função de problemas crescentes de déficits hídricos. Um dos sistemas usados é o de gotejamento, que precisa ser adequado conforme o tipo de terreno cultivado.
No presente trabalho objetou-se simular o bulbo molhado, pela água do gotejador, na condição de área declivosa, comum nas regiões de cafeicultura de montanha, como ocorre na Zona da Mata de MG e no estado do Espírito Santo.
O estudo de simulação foi feito em São Domingos das Dores – MG, em solo LVA, em área com 60% de declividade. Foram utilizados gotejadores de 1,6 L h⁻¹, espaçamento de 0,60 m, lâmina diária de 4.28 mm e período de simulação de 7 dias.
Os resultados gráficos estão demonstrados na figura 1. Verificou-se que na condição de declive o bulbo tornou-se assimétrico, com clara predominância do fluxo no sentido descendente da encosta. Aproximadamente 65% da abertura do bulbo concentrou-se na parte inferior e 35% na parte superior. O raio abaixo do emissor foi de 45,2 cm, enquanto acima do emissor foi de 24,4 cm. O diâmetro máximo em superfície (Ws) atingiu 69,6 cm e, em profundidade (Ws’), 91,4 cm. A profundidade máxima (Zv) foi de 81,2 cm. Quando comparado ao cenário em terreno plano, observou-se um aumento aproximado de 10 cm no diâmetro do bulbo, tanto em superfície quanto em profundidade, enquanto a profundidade máxima permaneceu praticamente inalterada, em torno de 80 cm. Houve, contudo, intensificação da redistribuição lateral no sentido descendente.
Em síntese, observou-se que a declividade altera significativamente a geometria lateral do bulbo, mas não impacta de forma expressiva a profundidade máxima atingida e do ponto de vista prático foi possível verificar e concluir que - 1- o bulbo molhado não é simétrico; 2- a gravidade favorece a expansão lateral descendente; 3- o espaçamento entre emissores deve considerar essa assimetria; 4- o posicionamento da linha de gotejamento influencia diretamente a eficiência da irrigação. Além disso, o estudo indica que, em áreas declivosas, seria o caso de afastar um pouco a linha de gotejadores da proximidade do tronco, na parte de cima da linha de cafeeiros.
O próximo passo será avançar na modelagem, realizando simulações de fertirrigação com soluções contendo nitrato (NO₃⁻), amônio (NH₄⁺) e potássio (K⁺), avaliando a dinâmica de transporte desses íons no perfil sob condição de declividade acentuada. Essa etapa permitirá compreender não apenas o movimento da água, mas também a redistribuição de nutrientes ao longo do perfil, considerando mecanismos como fluxo de massa, difusão e interações eletroquímicas com a matriz do solo.
Modelar antes de instalar pode evitar erros de dimensionamento e melhorar, significativamente, a eficiência da irrigação e da fertirrigação no sistema.





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