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  • Folha Técnica 809

    FUSARIOSE TARDIA MATA PLANTAS DE CAFÉ J.B. Matiello, Lucas Bartelega e Bruno Meneguci -Engs Agrs Fundação Procafé Uma fusariose, ainda pouco conhecida, vem afetando plantas mais velhas de café, levando-as à morte. A fusariose, como o nome indica, é causada por fungos do gênero Fusarium, que ataca várias culturas agrícolas. A doença tem como característica principal o ataque do fungo junto aos vasos do lenho, no tronco e ramos, com isso interrompendo a passagem da seiva e comprometendo o desenvolvimento das plantas. O cafeeiro da espécie C. arabica tem se mostrado pouco suscetível à fusariose, não havendo, no geral, problemas dessa doença em plantas jovens de café. Já, na espécie C.canephora tem havido, nos últimos anos, ataques severos, provocados pelas espécies Fusarium decemcellulare, F. lateritium e F. solani. A presente nota técnica tem por objetivo relatar observações sobre a ocorrência de uma fusariose tardia, ou seja, o ataque da doença em plantas velhas de café. Esse ataque se inicia na medida em que os cafeeiros são podados e, nesse caso, a entrada do fungo ocorre pela porção do caule submetido à poda. A entrada da fusariose, a partir do ponto onde é efetuada a poda do tronco, fica evidente ao se observar que em uma planta decotada, os sintomas da doença começam, exatamente, no topo da planta e, daí a seca da copa vai descendo, até chegar a matar a planta. A constatação de que se trata da fusariose, em plantas velhas de cafeeiros, pode ser feita através do corte, com faca, do tronco, logo abaixo da casca. Ali, podem ser observadas listras escuras e avermelhadas, ao longo dos vasos (ver ilustração).. No campo a doença pode ser observada de longe, com a morte parcial e seca de parte da copa e, com a evolução, a planta vai ficando fraca, na medida em que a parte morta da copa vai aumentando e leva até à morte dos cafeeiros. Esses sintomas podem ser observados nas ilustrações aqui incluídas. Os prejuízos pela fusariose tardia consistem na perda parcial ou total da copa e, consequente perda de área produtiva e, pela morte, ocorre perda de stand de plantas da lavoura. Para retardar o problema, uma forma de controle, que visa retardar o problema, consiste em efetuar uma poda bem abaixo da parte afetada do tronco, assim reduzindo a parte do tronco com vasos entupidos, e esperar a brotação, que pode prolongar a vida das plantas.

  • Folha Técnica 808

    FORTE INFESTAÇÃO DE MUSGO EM TRONCO E RAMOS DE CAFEEIROS J.B. Matiello e Marcelo Jordão Filho - Engs Agrs Fundação Procafé Foi observada, recentemente, uma forte infestação de ervas musgo ao longo do tronco e ramos de cafeeiros. Plantas do tipo musgo são plantas não vasculares briófitas, as quais não possuem nem ramos nem raízes. Elas absorvem agua e nutrientes do ar, em toda a superfície da planta. A classe mais comum de musgos é a Bryopsida. Os musgos são plantas clorofillicas, fazendo fotossíntese e, geralmente, são de cor verde. A ocorrência de musgos em plantas de café já foi relatada sobre o substrato, na superfície da sacola, em mudas de café. Já foi observada, também, sobre troncos de café em plantas mortas. Na presente nota técnica objetiva-se relatar uma ocorrência nova. Trata-se de uma forte infestação de musgo sobre o tronco e ramos laterais mais grossos, de lavoura de café bem conduzida e em pleno vigor vegetativo. A constatação foi feita em cafezal no município de Ibiraci, a 1100 m de altitude, em cafeeiros da variedade Catucai 2 SL, com plantas aos 22 anos de idade. Em janeiro de 2026 foi verificado que os troncos das plantas, de baixo até em cima, e alguns ramos laterais, em sua parte grossa, se encontravam completamente cobertos por uma grossa camada de musgo verde, conforme pode ser visto nas fotos ilustrativas. Sabe-se os musgos se desenvolvem melhor em ambientes úmidos e sombrios. Na presente constatação de fato havia sombra, pela folhagem da copa dos cafeeiros, porém, quanto à umidade, não havia acúmulo de água na lavoura. O maior desenvolvimento dos musgos pode estar ligado a uma condição da presença de casca mais grossa no tronco dos cafeeiros, mais velhos, e onde pode estar se acumulando mais umidade. Quanto ao efeito da infestação de musgos não se observa, até momento, prejuízos, certamente por eles se desenvolverem, somente, sobre a casca do tronco, sem interferências no processo interno, de translocação da seiva pela ramagem. Caso venham a ser constatados danos, em futuro e em outros casos, adianta-se o resultado de pesquisa anterior, que mostra eficiência do herbicida Clorimuron no controle dos musgos, quando sobre substrato da sacolinha, em mudas.

  • Folha Técnica 807

    MUMIFICAÇÃO DE FRUTOS DE CAFÉ, POR EFEITO FISIOLÓGICO J.B.Matiello e Lucas Bartelega - Engs Agrs Fundação Procafé e Denilson Luis Pelloso. -Eng Agr Consultor em cafeicultura A mumificação de frutos de café tem sido muito frequente e uma das causas mais importantes tem origem em problemas fisiológicos. Existe, ainda, mumificação de frutos chumbinhos por ataque de patógenos - fungos ou bactérias. Na presente nota técnica objetiva-se detalhar as condições de ocorrência da mumificação por efeito da falta de reservas das plantas, pois suas características são menos conhecidas. A mumificação de frutos em cafeeiros significa sua morte, junto às rosetas, assumindo cor bem escura, ali ficando presos, isolados ou junto com frutos normais, estes mantendo a cor verde. A mumificação por efeito fisiológico acontece por falta de reservas na planta. Assim, os frutos menores, por efeito dreno, sofrem e acabam morrendo, uma vez que ocorre o aproveitamento prioritário das reservas pelos frutos maiores. Esses frutos, debilitados, ou caem ao chão ou morrem presos nos ramos, assim caracterizando a mumificação. Pode-se distinguir esse abortamento e posterior mumificação pela coloração dos frutos. Inicialmente eles se mostram murchos, ficam com cor chumbo e, rapidamente, vão escurecendo, ficando pretos no final. No caso da mumificação dos frutinhos por ataque de patógenos, assim com causa fitopatológica, eles ficam escuros desde logo e, nesse caso, pode-se observar sintomas da doença também nas folhas e ramos. Os frutinhos mumificados podem apresentar, mais adiante, o ataque de fungos saprófitas, sendo comum aparecer uma massa, de cor branca ou cinza, cobrindo os frutos mais apodrecidos, sendo essa massa constituída por micélio e frutificação desses fungos saprófitas.

  • Folha Técnica 806

    COMO ESCOLHER MELHOR AS VARIEDADES DE CAFÉ A PLANTAR J.B. Matiello, Lucas Bartelega e Marcelo Jordão Filho -Engs Agrs Fundação Procafé e Carlos H.S.Carvalho -Eng Agr Pesquisador Embrapa Café A cafeicultura brasileira está em uma fase de expansão, com novos plantios de cafeeiros em grande escala. Então é hora de escolher bem as melhores variedades a serem plantadas, para garantir altas produtividades nas lavouras, o que é essencial para maior retorno econômico ao produtor. A boa escolha das variedades de café é importante, primeiro por ser uma cultura perene, cultivada por muitos anos, então a escolha, correta ou incorreta, vai ter efeito por longo período. O segundo ponto é que o custo de implantação da lavoura de café é bastante alto e ter de trocar a lavoura, por ter adotado uma variedade inadequada, custa muito. Por último, deve-se considerar que a variedade, através da genética das plantas, vai levar todas as características desejadas, as quais, através de um bom manejo das práticas de cultivo, vão expressar todo seu potencial. A gente costuma comparar a escolha da variedade de café ao casamento. Se o par for bem forma -se uma família com bons frutos. Mas se a escolha não der certo e se o enlace for desfeito vai haver perdas, morais e patrimoniais. Na seleção das variedades de café, a serem plantadas, é preciso observar 3 aspectos principais - As características próprias da variedade, as condições da região e do sistema de manejo a ser adotado e o tipo do produtor, seus recursos tecnológicos. Quanto às características inerentes à genética da variedade são mais importantes - a capacidade produtiva e o vigor das plantas, o porte baixo, para facilitar o manejo , sua resistência a doenças e pragas e a boa qualidade dos frutos (tamanho e bebida). Deve-se observar, ainda, a maturação dos frutos, sendo o ideal combinar talhões com variedades de maturação precoce, média e tardia, para facilitar a colheita. Na adaptação das variedades, conforme as condições regionais e de cultivo, de acordo com o clima, relevo, sistema de plantio, adensado ou renque mecanizado, com ou sem irrigação etc, deve-se verificar resultados dos ensaios regionais, que mostram os melhores materiais genéticos, que vão bem naquelas condições em que se insere a área a ser plantada. Sabe-se que existem variedades mais e menos sensíveis a condições climáticas desfavoráveis e a sistemas de manejo menos intensivos.. Porém, é bem conhecido que existe um grupo de variedades, que foi devidamente testado, e que tem apresentado boa adaptação às variadas regiões produtoras. Por essa razão, variedades desse grupo dão mais segurança para serem indicadas e adotadas pelos produtores. A Fundação Procafe tem resultados de avaliação de dezenas de materiais genéticos, em várias regiões e com grande número de safras computadas, dando garantia da capacidade produtiva das variedades, em diferentes condições e a longo prazo. Outras Instituições também tem resultados de pesquisas sobre o comportamento de variedades. Cabe ao técnico que recomenda e ao produtor que vai adotar determinadas variedades observar os materiais que vem tendo bom desempenho na sua região, porém é ainda mais importante verificar os resultados e a indicação das pesquisas, pois elas são feitas com metodologia científica e, sempre, em comparações com o desempenho das variedades padrões - Catuai e Mundo Novo. Portanto, são informações muito mais segurass e que devem ser consideradas, ao invés de observar uma opinião puramente de âmbito ou vontade pessoal.

  • Folha Técnica 805

    ÁCARO VERMELHO DO CAFEEIRO ATACA MAIS PLANTAS DE VARIEDADES ROBUSTA J.B.Matiello -Eng Agr Fundação Procafé Observações em campo mostram que ataques do ácaro vermelho ocorrem mais em cafeeiros robustas em comparação com plantas de arábicas. O ácaro vermelho (Oligonichus O. olícis) é uma praga que ataca cafeeiros , afetando principalmente a folhagem, mas, também, pode atacar frutos. Na folhagem provoca, com seu aparelho bucal, raspaduras nas células da epiderme, para se alimentarem do liquido, que tornam as folhas de cor avermelhada, até amarronzadas. Com ataque severo causa desfolhas, especialmente do ponteiro das plantas. As condições favoráveis ao ataque do ácaro são períodos quentes e secos e os desequilíbrios de inimigos naturais (outros ácaros e insetos predadores), provocados por defensivos e por períodos de estiagens. O ácaro vermelho ocorre tanto em regiões de café arábica como de robusta/conilon. No entanto, tem sido observada sua preferência sobre cafeeiros robustas. Um exemplo bastante significativo, da preferência do ácaro vermelho por cafeeiros robusta foi verificado, recentemente, em lavoura situada na Zona da Mata de MG, a cerca de 480 m de altitude. Nessa área existem plantios de cafeeiros das duas espécies, arabica e canephora. Curioso foi verificar que cafeeiros da espécie canephora se mostram bem atacados, ao lado de plantas de arábica sem qualquer ataque, conforme pode ser visto na ilustração aqui incluída. A explicação para o maior ataque em cafeeiros robusta deve estar ligada aos seus componentes foliares, que favorecem a multiplicação dos ácaros. Como parecia ser, não está ligada ao ambiente mais quente onde é cultivado o robusta, ambiente esse que, sim, pode agravar o problema. Sabe-se, no entanto, que já foi identificado, em Colatina-ES, um clone de conilon com resistência ao ácaro vermelho. Diante da constatação da preferência do ácaro vermelho por cafeeiros robustas deve-se tomar mais cuidados nessas lavouras, evitando o uso de produtos defensivos que levem a desequilíbrios, entre os quais se destacam os inseticidas neonicotinóides e os piretroides ou, então, sempre associá-los com acaricidas.

  • Folha Técnica 804

    MUDAS DE CAFÉ DEVEM SER ACLIMATADAS OU ENDURECIDAS, ANTES DO PLANTIO J.B.Matello e Lucas Bartelega -Engs Agrs Fundação Procafé.   Tem sido observado, na prática, que é muito importante que as mudas de café só sejam destinadas ao plantio, no campo, após sua aclimatação ao sol ou ao seu endurecimento hormonal. As mudas de café, em sua grande maioria, são produzidas em viveiros sob ambiente sombrio, tipo meia-sombra. Isso se deve a que as plantas de café, quando novas, têm sua fotossíntese e, consequentemente, seu desenvolvimento, acelerados em ambiente com menor luminosidade. No entanto, as recomendações do manejo do viveiro devem prever um período de 20 -30 dias de aclimatação ao sol, com retirada gradual da cobertura, antes de levar essas mudas ao campo. Mudas mal aclimatadas sofrem rapidamente no campo. Logo murcham, apresentam queimaduras e secas de folhas e exigem molhações mais frequentes, pois senão ocorrem mortes e perdas, com necessidade de replantio. Nos viveiros comerciais, hoje responsáveis pela grande parte do fornecimento de mudas aos cafeicultores, nem sempre se torna conveniente aclimatar as mudas. Essa aclimatação exige tempo, exige movimentação da cobertura, exige mais água na rega e, também, torna as mudas mais amareladas e mais “feias”,  isto aos olhos dos clientes. Mudas sem aclimatação são facilmente reconhecidas. Possuem folhas de coloração verde escura, as folhas novas são grandes e molengas e sua ponta tomba com facilidade. Uma maneira bem simples de adaptar as mudas, para as condições de campo, consiste no seu endurecimento por aplicação hormonal. Para isso, indica-se o uso do Triadimenol, um fungicida e hormônio, que freia o crescimento vegetativo das mudas e aumenta seu sistema radicular fino. Esse produto é encontrado no mercado sob a formulação Premir Plus, que contém 25% de Triadimenol. A recomendação é aplicar o produto, em rega, sobre as mudas, a partir do estágio de 4 pares de folhas, na dose equivalente a 1,5 ml para cada 100 mudas. As folhas das mudas tratadas com o Triadimenol amadurecem, ficam acosteladas, tomam uma coloração verde claro e o caule fica endurecido. Ocorre a multiplicação das raizes finas. Essas mudas, depois, no campo, com a adubação nitrogenada , voltam a crescer normalmente, com ritmo mais acelerado, pois agora possuem uma melhor relação de suas raizes com a parte aérea. O sistema de tratamento hormonal citado também é útil caso as mudas estejam ficando muito grandes e ainda não se tenha condições de plantio . O tratamento paralisa temporariamente o crescimento das mudas e, se necessário, pode ser re-aplicado. Em mudas maiores deve-se aumentar a dose para 2 ml cada 100 mudas

  • Folha Técnica 803

    CULTIVO DE CAFÉ NO SISTEMA ORGÂNICO EXIGE CUIDADOS ESPECIAIS PARA ALCANÇAR BOA PRODUTIVIDADE J.B.Matiello -Eng Agr Fundação Procafé e Lucas Franco, Lucas H. Figueiredo, José Emanuel A. Pinto e Fernando Figueiredo -Engs Agrs Fazendas Sertãozinho Cultivar lavouras de café no sistema orgânico não é tão simples quanto parece. Caso não sejam adotados alguns cuidados especiais a produtividade obtida vai ser baixa. O cultivo ou manejo orgânico de um cafezal compreende o uso de práticas agrícolas sem fertilizantes, herbicidas ou defensivos de natureza química. Com isso as respostas das plantas de café são mais lentas, ou seja, fica mais difícil corrigir os problemas que aparecem, como determinadas deficiências nutricionais, a ocorrência de praga ou doença e a competição do mato. Isso de forma rápida, com as vezes é preciso. Existem menos informações sobre o cultivo de café orgânico, quando comparado com o convencional. Deste modo, colocamos aqui algo que evidenciamos, na prática, manejando cerca de 40 ha de cafezais orgânicos,  já por 8 anos. O primeiro cuidado a observar é a escolha da variedade. Nesse aspecto deve-se dar preferência a variedades com maiores níveis de resistência a doenças e pragas e ainda que tenham capacidade de indução floral mais fácil. Essa última característica é mais importante nas áreas mais frias. O uso de adubos orgânicos, em doses elevadas e constantes suprem, continuadamente, os cafeeiros de nutrientes e pode haver excesso de N, as plantas ficando verdes e bonitas, mas com pouca florada.Nesses casos, experiências de campo mostram efeitos positivos do corte temporário do uso de estercos, para voltar ao equilíbrio. O aspecto de excesso vegetativo e deficiência na floração pode ser comprovado pelo fato de plantas mais jovens, com boa insolação e, também, mais velhas , porém na beira de carregadores, serem sempre mais produtivas. O segundo aspecto é ter mais cuidado no controle do mato, usando roçadas mas, também, capinas, pois como não se pode repor nutrientes de forma rápida, não se deve permitir maiores concorrências com as ervas. O terceira regra a observar é não exagerar no uso de estercos, pois os próprios experimentos de adubação orgânica mostram aumento de produtividade dos cafeeiros com elevação das doses usadas, mas com doses excessivas ocorrem perdas. No que tange a pragas e doenças não se torna fácil controlar. O uso de variedades resistentes ajuda bem. No caso de doenças produtos fungicidas cúpricos são permitidos, mas exigem grande número de aplicações. Quanto às pragas deve-se tentar voltar ao equilíbrio, com o uso de produtos biológicos, porém eles tem baixa eficiência e o equilíbrio nem sempre é obtido, pois podem existir lavouras vizinhas que vão disseminar as pragas para as áreas em processo de equilíbrio. Praticas que se mostram muito adequadas ao cultivo orgânico são o sistema de poda safra zero e, para pequenos produtores, algo de arborização da lavoura.

  • Boletins Avisos Fitossanitários - Março 2026

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  • Folha Técnica 801

    MANEJO INEFICIENTE DE PLANTAS DANINHAS EM LAVOURAS DE CAFÉ, EM ÁREAS MECANIZADAS J.B. Matiello – Eng Agr Fundação Procafé e Tiago Souza- Eng Agr Consultor em cafeicultura   Observações em campo, especialmente nas lavouras de café de áreas mecanizadas, mostram que o manejo do mato tem sido feito, em muitos casos, de maneira inadequada, permitindo a concorrência das ervas daninhas com os cafeeiros. O manejo adequado das plantas daninhas é essencial para garantir o bom desenvolvimento do cafeeiro e preservar a produtividade da lavoura. Entre os métodos de controle das ervas mais utilizados estão a roçada e o uso de herbicidas, que podem ser usados de forma isolada ou integrada, conforme as condições de cada área. A época de controle do mato mais critica se situa entre outubro e abril, período em que as chuvas favorecem o crescimento das plantas daninhas e o cafeeiro está em fase de crescimento vegetativo e desenvolvimento da frutificação. Nessa condição a matocompetição provoca forte concorrência por água, e nutrientes, podendo reduzir o vigor das plantas e o potencial produtivo da lavoura. A definição da melhor estratégia de manejo depende de alguns fatores importantes, como: espécie e estágio de desenvolvimento das plantas daninhas predominantes; idade do cafezal; tamanho da propriedade; disponibilidade e tipo de maquinário. Muitos produtores têm optado pelo uso exclusivo da roçada, durante todo o período chuvoso. Embora seja uma prática válida, em várias áreas o controle tem se mostrado ineficiente, pois, após a roçada, as plantas daninhas permanecem com estruturas vegetativas vigorosas, permitindo rápida rebrota. Isso reduz o tempo de controle e mantém a concorrência com o cafeeiro. A roçada, quando executada de forma correta e combinada com outros sistemas de controle do mato,  apresenta benefícios como : redução do uso de herbicidas; menor impacto ambiental; formação de cobertura vegetal, contribuindo para o aumento da matéria orgânica do solo; e melhoria das condições de tráfego no cafezal. Para que sejam obtidos bons resultados com a roçada é preciso observar alguns cuidados fundamentais, como: - ajustar corretamente a altura de corte da roçadeira ou trincha;  manter facas e martelos em bom estado; operar o trator em velocidade adequada; utilizar largura de corte compatível com a largura das ruas do cafezal. Em resumo, uma roçada bem feita deve eliminar quase totalmente a parte aérea das plantas daninhas. Isso aumenta o intervalo entre as operações, reduz a necessidade de novas intervenções e diminui a concorrência com o cafeeiro, no período mais crítico do seu ciclo. Por último, é preciso considerar que o uso de roçadas exclusivas leva a perdas de produtividade na lavoura de café, vez que a massa vegetal morta é utilizada para a rebrota do próprio mato e não para o desenvolvimento dos cafeeiros. Pesquisas realizadas, com grande numero de safras avaliadas, mostram que a simples roçada se comporta de forma apenas pouco melhor do que a testemunha, sem controle do mato. Nesses trabalhos os cafeeiros mantidos no limpo sempre são os mais produtivos.

  • Folha Técnica 800

    MUDAS DE CAFÉ MANTIDAS COM A PARTE INFERIOR DAS RAIZES NO AR AUMENTAM O SISTEMA RADICULAR FINO J.B. Matiello e Lucas Bartelega -Engs Agrs Fundação Procafé e Carlos H.S.Carvalho Eng Agr Embrapa Café junto à Fundação Procafé.   Observações feitas em viveiro e experiências realizadas com mudas de café mostram que a ponta das raizes principais morre, em contato com o ar e, assim, provocam o desenvolvimento de maior volume de raizes finas. As mudas de café, em sua maioria, ainda são produzidas em sacolinhas plásticas, com substrato tendo como base a terra e são colocadas em canteiros sobre o solo. Deste modo, as raizes principais chegam ao fundo da sacola, ali se enovelam e algumas chegam a penetrar no próprio solo abaixo. Então, na ocasião do plantio, deve-se cortar o fundo da sacola, para eliminar esse envelamento. Já, nas mudas produzidas em bandejas, tubetes e paper pots, usando substaros artificiais, esses recipientes são colocados suspensos e, deste modo, as raizes principais morrem ao atingir o fundo do recipiente,  pois ficam em contato com o ar. Essa morte das raizes principais parece que estimula a formação de raizes finas, importantes para melhor desempenho no campo e servem, também, para envolver e segurar o substrato, formando um bloco, que facilita a retirada da muda do recipiente e ajuda no plantio da muda, não esborroando o pequeno bloco formado. A comprovação desse estímulo de raizes finas em mudas foi feita em pesquisa realizada com mudas em sacola de TNT. Essas mudas são colocadas em caixas de madeira. No estudo feito restirou-se o fundo de madeira em algumas caixas e substitui-se esse fundo por uma tela. Verificou-se que nas caixas com fundo de tela, que condicionaram a morte das raizes, por contato com o ar, houve maior desenvolvimento das raizes finas, quando comparado com as mudas com fundo de tábua. Na Costa Rica, onde se usa mudas produzidas no chão, existe a indicação de cortar, com pá reta, a raiz principal, pouco abaixo do solo, visando maior formação de raizes finas. No passado (no ex-IBC) testamos essa prática, aplicadas em mudas no campo, aos 6 meses de idade. E, pasmem, essas plantas produziram mais nas primeiras safras controladas. Nesse sentido, antes de indicação,são necessárias mais pesquisas para comprovação. Conclui-se que  - é benéfico o sistema de deixar as pontas das raizes de mudas de café em contato com o ar, visando estimular o crescimento de raizes finas.

  • Folha Técnica 799

    CARAMUJO GIGANTE AFRICANO VOLTA A ATACAR CAFEEIROS J.B.Matiello -Eng Agr Fundação Procafe e Alex Campanharo Eng Agr AC Consultoria   O caramujo gigante africano voltou a atacar cafeeiros, depois de um período em que os ataques não apareciam . Agora, no final de 2025, foi observado um ataque severo, nessa ocorrência também atacando cafeeiros  e mudas jovens. Os caramujos, assim como as lesmas, são animais moluscos gastrópodes, podendo viver na terra ou na água. Caramujos comuns e lesmas se alimentam de vegetais, sendo herbívoros e já foram citados como causadores de prejuízos em cafeeiros. As lesmas se alimentam da folhagem de mudas em viveiros e os caramujos tem seu ataque mais associado ao consumo da casca de cafeeiros. No ataque agora observado foi constatada a ocorrência do caramujo gigante africano ( Lissachatina fulica  ). Foi verificado o ataque no caule de cafeeiros adultos, na parte superior, com destruição na casca. Um ataque mais raro e muito prejudicial também foi observado em cafeeiros novos e mudas. Nesse caso roletando o caule e tornando a muda impropria para plantio. Verificou-se, como condição favorável, o uso de mulching, de capim seco,  junto às plantas, o que se sabe favorece o esconderijo do caramujo. Esse ataque, com sintomas que podem ser vistos nas fotos ilustrativas, foi observado no município de Pinheiros, região Norte do Espírito Santo. Só pra relembrar, o caramujo gigante africano foi introduzido no Brasil, para uso no consumo humano, em substituição ao escargot. Logo se evadiu de criadouros e se tornou praga, inclusive sendo problema de saúde pública, pois transmite doença.

  • Boletins Avisos Fitossanitários - Fevereiro 2026

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