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  • Boletins Avisos Fitossanitários - Julho 2026

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  • Folha Técnica 819

    DESENVOLVIMENTO DE SISTEMA DE APLICAÇÃO DE ADUBOS, VIA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO, EM VIVEIRO DE MUDAS DE CAFÉ J.B. Matiello -Eng Agr Fundação Procafé, Célio Coelho - Tec Agr e Nicola V. Di Salvo e Frederico Di Salvo - Engs Agrs Agropecuária Di Salvo As mudas de café são formadas em viveiros, sob meia sombra, condição que melhora o desenvolvimento das mudas. Como as novas lavouras vem sendo implantadas em espaçamentos que comportam, sempre, mais de 5000 plantas por hectare, os viveiros de café são, normalmente, de grande porte. Para nutrir as mudas de café são usados, no início, esterco e adubos, em mistura com a terra, para mudas em sacolas plásticas ou, no caso do uso de substratos artificiais, em bandejas ou paper pots, é indicado usar adubos de lenta liberação. Apesar dessa adubação básica, usada nos substratos, é comum ter que complementar a adubação, em cobertura nas mudas, com nutrientes específicos, quando as mudas apresentarem deficiências e mau desenvolvimento. Em viveiros de grande porte esse trabalho precisa ser facilitado. O objetivo da presente nota técnica é relatar o desenvolvimento de um dispositivo, para viabilizar a adubação, via água de irrigação, de forma simples e rápida. O trabalho foi efetuado em viveiro comercial, de 640 mil mudas, formadas em bandejas de 32 células, situado no município de Campo Alegre-GO. A irrigação, para o viveiro, foi instalada através do bombeamento de água de represa, com uso de moto-bomba monofásica, de 3 CV, subindo com adutora de tubos de 50 mm. Desses tubos saem terminais de mangueiras, de 3/4 pol, nas quais foram instalados micro aspersores, do tipo bailarina, distanciados de 3x3 m. Essas mangueiras com aspersores distribuem a água para molhar os canteiros de mudas do viveiro. O dispositivo desenvolvido para permitir a adubação constou da montagem de uma caixa d’água, de 1000 l, próxima à bomba. Na caixa foi colocado um tubo de ligação, possuindo registro de regulagem, acoplado ao tubo de subida da bomba. Essa ligação termina, no fundo da caixa, com uma cruzeta, de tubos de 3/4 pol, perfurados, de forma que, ao mesmo tempo em que enche a caixa, turbilhona o líquido, assim dissolvendo o adubo. A caixa, em sua parte inferior, internamente, tem, ainda, um tubo de saída, com filtro de tela, esse tubo vai conectado no tubo de sucção da bomba. Através de um registro nesse tubo regula-se a quantidade de entrada da calda de fertilizante a ser injetada e, consequentemente, a dose de adubo aplicada nas mudas. Pode-se, alternativamente, usar um tubo venturi. Verificou-se que o dispositivo desenvolvido promove uma boa dissolução do adubo na água, preparando a calda fertilizante. Os tempos observados no processo foram - de 8 minutos para enchimento da caixa de 1000 l e de 15 minutos para esvaziamento da caixa, ou seja, para aplicar toda a calda fertilizante no viveiro. Com esses tempos pode-se calcular a dose e concentração do adubo, conforme o desejado. Normalmente aplica-se calda com concentração de 0,5%, de fórmula contendo NPK mais micro, isso cada 4-5 dias. Para a operação de adubação, primeiro coloca-se o adubo na caixa dágua. Em seguida abre-se a entrada de água, vinda da bomba e ocorre a solubilização do adubo. Uma vez completada a diluição desejada, fecha-se a entrada e abre-se a saída e, então, a bomba conduz a calda, junto com a água de irrigação, até os micro-aspersores, os quais distribuem a adubação nas mudas. Conclui-se que - é possível usar um dispositivo simples e eficiente, construído no próprio local do viveiro, a baixo custo, para a adubação de mudas de café, via água de irrigação, facilitando o trabalho em viveiros de maior porte.

  • Folha Técnica 818

    AUMENTO DA CERCOSPORIOSE E EFEITO DO SOMBREAMENTO, EM PLANTIOS DE CAFÉ EM DOBRA DE LAVOURA ADULTA J.B. Matiello, Lucas Bartelega e Alisson Carli -Engs Agrs Fundação Procafé e Pedro S. Araújo - Eng Agr Coocafe O plantio de café em dobra, ou seja, no meio de lavoura adulta e uma prática indicada para pequenos produtores, quando precisam manter a renda, que seria perdida no caso de erradicação e substituição, com novo plantio sobre a área liberada. A dobra é realizada no meio da rua da lavoura velha e deve adotar cuidados especiais, como o uso de variedades resistentes a nematóides, além de adotar menores distância entre plantas nas linhas e nutrir e proteger as plantas novas, do mato e das pragas e doenças. No aspecto de doenças já foi relatado o cuidado com a Phoma e a ferrugem, mais graves em função do sombreamento. O objetivo da presente nota técnica é relatar observações de campo sobre a ocorrência de cercosporiose em plantios em dobra e o efeito da sombra das plantas velhas sobre o crescimento das novas. O trabalho de acompanhamento foi efetuado na Fda Experimental da Fundação Procafé em Lajinha em um plantio em dobra de cerca de 3500 mudas, plantadas nas ruas de uma lavoura de catuai no espaçamento de 3x1 m e com cerca de 7 anos de idade e que se encontrava falhada e com pouca ramagem produtiva. O plantio foi efetuado em dez/ jan de 2025/26 com lotes variando de 200 a 800 plantas de cada uma de 6 variedades novas e resistentes ao nematoide exígua e a ferrugem. Com o desenvolvimento das plantas novas passou-se a observar os aspectos de pegamento, crescimento e ataque de doenças. Completados 3-4 meses do plantio verificou-se que o pegamento das mudas e seu desenvolvimento inicial foi maior nas fileiras mais sombreadas em relação a áreas com falhas da lavoura velha. O maior desenvolvimento das plantas novas sob sombra se deve à maior disponibilidade de água, pela menor insolação, menor temperatura e menor efeito do vento no micro-ambiente. Essa condição micro-climática favorável para as plantas novas supera a maior retirada de água do solo pelas plantas adultas Observou-se, ainda, um ataque mais severo que o normal de cercosporiose nas mudas novas, por efeito da dobra, muito provavelmente pela presença de grande quantidade de inoculo, principalmente a partir do amadurecimento dos frutos da lavoura velha dobrada. Esse ataque maior de cercospora motivou a necessidade extra de aplicação de fungicida específico e de reforço na nutrição das plantas novas. Conclui-se que - O plantio em dobra favorece, pela sombra, o pegamento e o desenvolvimento inicial das mudas e ocorre maior ataque de cercosporiose, exigindo trato especial.

  • Folha Técnica 817

    ARBORIZAÇÃO COM OLIVEIRAS REDUZ PROBLEMAS COM PSEUDOMONAS E PHOMA E RESULTA EM BOA PRODUTIVIDADE EM CAFEEIROS J.B.Matiello -Eng Agr Fundação Procafé e Lucas H. Figueiredo, Lucas Franco, Alexandre M Marchetti e João G. Mistura Peixoto - Engs Agrs Fazendas Sertãozinho O cultivo de cafeeiros da espécie C. arabica no Brasil é indicado em condições de temperaturas mais amenas, na faixa de 19-22º C. Essa faixa de temperatura ocorre em áreas com altitudes na faixa de 500 a 1200 m, variando nas diferentes regiões, mais ao Sul ou Norte. Nas regiões com maiores altitudes, portanto mais frias, os cafeeiros ficam mais sujeitos ao ataque da bactéria Pseudomonas seringae pv garcae e do fungo Phoma sp, que causam doenças que infectam a folhagem, a ramagem das plantas e a frutificação nova, provocando sérios prejuízos no desenvolvimento e produtividade dos cafeeiros. O controle químico da Pseudomonas e Phoma é dificultado, pois a evolução das doenças é condicionada por ondas frias e úmidas, que são imprevisíveis. Medidas culturais podem reduzir as doenças, melhorando a condição do microclima na lavoura. Na presente nota técnica objetiva-se relatar o uso de arborização com oliveiras, para melhorar o ambiente e viabilizar o cultivo de cafeeiros em regiões de altitude muito elevada. O trabalho foi conduzido na Fda Rainha, do Grupo Sertãozinho, junto ao município de Poços de Caldas -MG, em área com altitude de 1400 m. Nessa área, onde as oliveiras foram plantas a 8x5 m, estando as mesmas com 6 anos de idade, foram plantadas linhas intercalares de cafeeiros, da cultivar Arara, no espaçamento de 0,6 m entre plantas. Foi usada apenas uma linha de cafeeiros a cada rua de oliveiras, visando manter a mecanização dos tratos. Em áreas não mecanizáveis seriam indicadas 2 linhas de cafeeiros por rua de árvores. A avaliação do comportamento sanitário e da produtividade dos cafeeiros foi efetuado nas 3 primeiras safras, os cafeeiros completando 5 anos de idade. Verificou-se o desenvolvimento normal das plantas de café, completamente sem presença do ataque de Pseudomonas e, também, de Phoma, o que, ao contrário, se mostra muito grave em cafeeiros de lavoura vizinha, manejada sem arborização. Quanto à produtividade verificou-se a média de 35 scs por ha. A redução do ataque de Pseudomonas e Phoma, doenças ligadas a condições de frio e umidade, deve ser devida à redução do vento frio, e, também, pela redução da umidade e frio noturno, por efeito guarda-chuva propiciado pelas árvores de oliveira. Pode, ainda, haver redução do molhamento foliar dos cafeeiros, com o orvalho normal formando-se sobre a copa das árvores. Conclui-se que - a arborização com oliveiras evita ataques de Pseudomonas e também de Phoma e propicia boa produtividade nos cafeeiros, mesmo em condições de altitudes muito elevadas.

  • Folha Técnica 816

    A irrigação em cafezais é uma prática recomendada, pois resulta em significativos aumentos de produtividade, na maioria das áreas cafeeiras, em função de problemas crescentes de déficits hídricos. Um dos sistemas usados é o de gotejamento, que precisa ser adequado conforme o tipo de terreno cultivado. No presente trabalho objetou-se simular o bulbo molhado, pela água do gotejador, na condição de área declivosa, comum nas regiões de cafeicultura de montanha, como ocorre na Zona da Mata de MG e no estado do Espírito Santo. O estudo de simulação foi feito em São Domingos das Dores – MG, em solo LVA, em área com 60% de declividade. Foram utilizados gotejadores de 1,6 L h⁻¹, espaçamento de 0,60 m, lâmina diária de 4.28 mm e período de simulação de 7 dias. Os resultados gráficos estão demonstrados na figura 1. Verificou-se que na condição de declive o bulbo tornou-se assimétrico, com clara predominância do fluxo no sentido descendente da encosta. Aproximadamente 65% da abertura do bulbo concentrou-se na parte inferior e 35% na parte superior. O raio abaixo do emissor foi de 45,2 cm, enquanto acima do emissor foi de 24,4 cm. O diâmetro máximo em superfície (Ws) atingiu 69,6 cm e, em profundidade (Ws’), 91,4 cm. A profundidade máxima (Zv) foi de 81,2 cm. Quando comparado ao cenário em terreno plano, observou-se um aumento aproximado de 10 cm no diâmetro do bulbo, tanto em superfície quanto em profundidade, enquanto a profundidade máxima permaneceu praticamente inalterada, em torno de 80 cm. Houve, contudo, intensificação da redistribuição lateral no sentido descendente. Em síntese, observou-se que a declividade altera significativamente a geometria lateral do bulbo, mas não impacta de forma expressiva a profundidade máxima atingida e do ponto de vista prático foi possível verificar e concluir que - 1- o bulbo molhado não é simétrico; 2- a gravidade favorece a expansão lateral descendente; 3- o espaçamento entre emissores deve considerar essa assimetria; 4- o posicionamento da linha de gotejamento influencia diretamente a eficiência da irrigação. Além disso, o estudo indica que, em áreas declivosas, seria o caso de afastar um pouco a linha de gotejadores da proximidade do tronco, na parte de cima da linha de cafeeiros. O próximo passo será avançar na modelagem, realizando simulações de fertirrigação com soluções contendo nitrato (NO₃⁻), amônio (NH₄⁺) e potássio (K⁺), avaliando a dinâmica de transporte desses íons no perfil sob condição de declividade acentuada. Essa etapa permitirá compreender não apenas o movimento da água, mas também a redistribuição de nutrientes ao longo do perfil, considerando mecanismos como fluxo de massa, difusão e interações eletroquímicas com a matriz do solo. Modelar antes de instalar pode evitar erros de dimensionamento e melhorar, significativamente, a eficiência da irrigação e da fertirrigação no sistema.

  • Folha Técnica 815

    ARROZ VAI BEM, INTERCALAR EM LAVOURA DE CAFÉ, NA ZONA DA MATA DE MINAS J.B. Matiello, Lucas Bartelega e Alisson de Carli -Engs Agrs Fundação Procafe e Pedro A. S. Araújo -Eng Agr COOCAFE Em pesquisa realizada em 2025/26 verificou-se que foi viável o cultivo de arroz, intercalar em lavoura de café, na Zona da Mata de MG. As lavouras de café, em sua fase de formação ou depois de podas, possuem uma grande área livre, nas entre linhas ou ruas, área essa que pode ser aproveitada para plantio de culturas intercalares. As culturas intercalares tradicionais, mais usadas, tem sido o feijão e o milho. Na cafeicultura de montanha, conduzida em pequenas propriedades, como ocorre na Zona da Mata de Minas Gerais, existe pequena diversificação de cultivos, condição que aumenta o risco econômico da atividade cafeeira. Torna-se indicado, portanto, criar alternativas para combinar outros cultivos com o de cafezais. No presente trabalho objetivou-se estudar a cultura intercalar de arroz, em lavoura de café, visando suprir fonte de alimento e renda nas pequenas propriedades. O trabalho foi realizado, no ciclo agrícola 2025/26, na Fazenda Experimental da Fundação Procafé, em Lajinha-MG. Foi adotada uma área a cerca de 700 m de altitude, com plantio de café tendo 1 ano de idade, implantado no espaçamento de 3 x 0,6 m. O arroz utilizado foi da variedade de sequeiro BRS 502 e foram plantadas 3 linhas de arroz, plantadas na área central de cada rua da lavoura. O espaçamento entre linhas foi de 0,5m e a densidade de semeio foi de 60 sementes por metro de linha. O plantio foi realizado em meados de novembro. Foi feita uma adubação, no sulco de plantio, com o adubo 8-28-16 e uma em cobertura com 20-00-20, 25 dias após. A condução foi normal, com uma capina manual e não houve necessidade de controle de pragas e doenças. O desenvolvimento vegetativo das plantas foi bom, atingindo altura de cerca de 90 cm, apesar da ocorrência de um veranico em dezembro. O ciclo observado foi de cerca de 100 dias. A avaliação foi realizada através da colheita, no final de fevereiro de 2026, seguida da debulha, seca e pesagem dos grãos. A produtividade obtida foi de 3350 kg de grãos por hectare de cafezal. O rendimento seria ainda maior se adotadas mais linhas de arroz por rua de café, com o uso de menor distanciamento entre linhas de arroz. Considerando-se que o arroz ocupou cerca da metade da área de terreno, a produtividade real seria de quase 7 mil kg por há, o que é um nível produtivo muito bom. Conclui-se, com base nos resultados obtidos de produtividade e diante das facilidades de manejo, que o cultivo intercalar de arroz, de sequeiro, se mostra viável na área cafeeira de montanha, da Zona da Mata de Minas

  • Folha Técnica 814

    CIPÓ PUCÁ INFESTA CAFEZAL NO SUL DE MINAS J.B.Matiello e Bruno Menicuci -Engs Agrs Fundação Procafé Foi observada, recentemente, a ocorrência do cipó puçá, como erva trepadeira, sobre cafeeiros. O cipó Pucá (Cissus verticillata ou Cissus sicyoides) é uma planta de habito trepador, ou seja, cresce sobre outras plantas ou tutores. A planta do cipó é considerada, pela tradição popular, como medicinal, sendo, especificamente, indicada para controle de diabetes, embora não haja comprovação. Porém, ao lado desse aspecto favorável, a erva do cipó pucá tem se mostrado prejudicial, por infestar, cobrindo os cafeeiros, reduzindo sua fotossíntese e concorrendo, em nutrientes e água, com lavouras de café. A origem e região considerada adequada a erva e a Amazônia, região quente. Em cafezais já se conhecia sua ocorrência problemática sobre lavouras de cafeeiros robusta/conilon, no Norte do Espírito Santo e Vale do Rio Doce em Minas. O cipó pucá possui folhas cordiformes, flores pequenas, amareladas e em cachos. Os frutos, pequenos, inicialmente verdes, assumem cor vinho, quando maduros, e são adocicados e muito apreciados por pássaros. O maior problema dessa erva cipó consiste em sua grande capacidade de sobreviver. Ela pode ser cortada, mas continua ativa, pois emite raízes longas, que descem até o solo e dali sustentam a planta. Por isso, seu controle deve ser diferenciado. Após o corte, os cipós devem ser retirados para fora da lavoura e ali, amontoados, devem receber aplicações de herbicidas específicos ou controlados por meios mecânicos. A presente constatação foi feita em lavoura na Fda Experimental de Varginha, mas se tem notícias de sua ocorrência, também, em outros municípios do Sul de Minas.

  • Folha Técnica 813

    ENFRAQUECIMENTO DAS PLANTAS, CHOCHAMENTO DOS FRUTOS E PERDAS PRODUTIVAS, POR EFEITO DO ATAQUE PRECOCE DA FERRUGEM DO CAFEEIRO J. B. Matiello e Lucas Bartelega -Eng Agr Fundação Procafé e Cesar A. Krohling -Eng Agr consultor A ferrugem é a principal doença do cafeeiro, sendo responsável por perdas significativas de produtividade das lavouras. A infecção da folhagem das plantas causa lesões, que levam à desfolha e assim reduz a capacidade produtiva dos cafeeiros. A evolução da ferrugem, normalmente, ocorre no período de novembro/dezembro até abril/maio, com desfolha em julho/ agosto, causando perdas de produção na safra seguinte. Na presente nota técnica objetiva-se relatar observações de campo, feitas nesse ciclo agrícola 2025/26, onde a ferrugem evoluiu mais cedo e provocou perdas, no vigor das plantas e na sua frutificação, de forma diferenciada, com efeitos no próprio ano agrícola. Como se conhece, a evolução da ferrugem depende das condições climáticas, de umidade e temperaturas adequadas. Também é muito influenciada pela suscetibilidade das plantas, relacionada à transferência das reservas, das folhas para os frutos. No ciclo agrícola 2025/26 verificou-se que as condições climáticas foram muito favoráveis à evolução da ferrugem, com períodos mais chuvosos. As produtividades das lavouras, no geral, foram mais altas e a granação e maturação dos frutos vieram antecipadas. Essa combinação de condições favoráveis antecipou a evolução da doença. Em consequência da evolução mais precoce da ferrugem, com desfolhas acentuadas já em maio, verificou-se seca de ponteiros de ramos produtivos, pela perda mais cedo da folhagem, chegando até ao último par de folhas, resultando em menor crescimento dos frutos, sua maturação forçada e, em parte, com chochamento. Uma ocorrência nova, ainda não relatada, foi verificada nesse ano. Plantas de café, muito atacadas pela ferrugem, se mostraram amareladas, enfraquecidas, parecendo que a desfolha precoce resultou em menor transferência de reservas, da folhagem para as raízes e, assim, as plantas ficaram deficientes. Essa debilidade ficou mais evidente em plantas nas safras iniciais, onde a relação folhas/ frutos é menor. Concluiu-se que - em condições favoráveis de clima e de suscetibilidade dos cafeeiros a evolução da ferrugem, de forma mais precoce, pode provocar debilidade nas plantas de café e perdas produtivas no mesmo ciclo agrícola.

  • Folha Técnica 812

    A ERVA BUVA, EM CAFEZAL, FOI OBSERVADA HOSPEDANDO COCHONILHA EM SUAS RAÍZES J.B. Matiello -Eng Agr Fundação Procafe e Osvaldo A. Silva -Eng Agr ex IBC e consultor Observações feitas em campo, em lavouras de café, mostraram que plantas da erva daminha Buva ou Voadeira podem ser hospedeiras de cochonilhas em suas raizes. A erva daninha Buva (Conyza bonariensis) é encontrada infestando áreas de cafezais em todas as regiões cafeeiras do Brasil. Essa infestação ocorre de forma grave, com altas populações dessa erva crescendo nas lavouras de café. A erva, como outras plantas daninhas, concorre com os cafeeiros, em água e nutrientes, e, ainda, pelo sombreamento, reduz a luminosidade em parte da folhagem dos cafeeiros, diminuindo sua fotossíntese. Os maiores problemas na infestação de Buva dizem respeito, de um lado, à facilidade de disseminação da erva, devida ao grande número de sementes produzidas e, pelo lado do controle, o problema está ligado à dificuldade de controle, pela resistência da erva ao glifosato, principal herbicida utilizada nas lavouras de café. A constatação agora realizada, verificando a infestação da cochonilha nas raízes da Buva, traz mais um problema. A possibilidade da Buva servir de fonte da praga, para dela atacar os cafeeiros. Essa ocorrência foi observada na região de Patrocínio MG, em cafezal adulto, sobre ervas que escaparam do controle com glifosato. O problema de ervas daninhas hospedando cochonilha em raízes é bem estudado no caso da cultura da mandioca, ocorrendo a cochonilha Protortona navesi, sendo indicada, como medida de controle, a eliminação das ervas, para reduzir a infestação na cultura. Conclui-se que a erva Buva, além de trazer dificuldades de controle em cafezais, pode apresentar mais um problema, o de constituir fonte de multiplicação de cochonilhas em suas raízes, com potencial de ataque aos cafeeiros.

  • Síntese do Mercado - Maio

    O mercado pede estratégia, não otimismo: eliminem a possibilidade de prejuízo enquanto é tempo! Os fundamentos de oferta e demanda, tal como safra recorde, recomposição de estoques, maior exportação, tendem a prevalecer sobre os fatores de suporte de curto prazo (estoques baixos, atraso da colheita, El Niño). O mercado já sinalizou essa direção com clareza. Esperar uma reversão expressiva das cotações, sem um evento climático severo que mude estruturalmente o cenário produtivo, é uma aposta de alto risco. O cenário é claramente baixista no médio prazo, com o peso da safra recorde brasileira ainda sendo absorvido pelo mercado ao longo dos próximos meses. Neste contexto, o produtor que ainda retém café da safra 2025 enfrenta uma janela estreita. Com a colheita avançando e mais café novo chegando ao mercado nas próximas semanas, a tendência é de compressão adicional dos prêmios. Vender o remanescente da safra 2025 agora, aproveitando os diferenciais ainda relativamente firmes do disponível, pode ser a decisão mais prudente. Já para os cafés da safra 2026, a estratégia comercial deve focar em eliminar possibilidade de prejuízos. Mas como? Comercializando uma parte dos primeiros lotes que produzirem para aproveitar o prêmio atual do disponível e travando uma parcela da produção a termo, pois, embora os preços futuros sejam inferiores aos atuais, seguem assegurando uma rentabilidade, que pode chegar à ordem de 50% a 100% a depender do custo, o que justifica a proteção. A ideia é que venda parcial dos primeiros lotes somada à trava para o segundo semestre garanta minimamente o break-even (ponto de equilíbrio) da operação, ou seja, o pagamento dos custos de produção, pois assim o produtor se protege de qualquer possibilidade de prejuízos que possa existir. Além disso, como no mercado de café, nada é impossível, é sugestivo que uma parcela seja retida estrategicamente para capturar eventuais janelas de alta geradas por fatores externos como câmbio, geopolítica ou, até mesmo, uma adversidade climática (torçamos para que não). Em síntese, o atual cenário exige atuação estratégica e ativa do produtor no mercado: proteção financeira hoje vale mais do que a aposta em uma alta cujos fundamentos de oferta e demanda, por ora, não sustentam. No momento, o mercado pede estratégia, não otimismo. Analista: João Marcelo Oliveira de Aguiar - Superintendente Executivo / Fundação Procafé

  • Folha Técnica 811

    CULTIVAR DE CAFEEIROS ARARA SE MOSTRA ALTAMENTE VIGOROSA J.B.Matiello, Lucas Bartelega e Bruno Meneguci -Engs Agrs Fundação Procafé Cafeeiros da cultivar arara vem mostrando boa recuperação, após vários ciclos de podas, assim evidenciando alto vigor das plantas. A cultivar arara foi desenvolvida a partir de uma planta híbrida entre o sarchimor e o icatu, sendo selecionada em gerações sucessivas, a partir da década da de 1980. Ao longo dos últimos 15 anos, a cultivar tem se mostrado, em ensaios, em diferentes regiões, quase sempre a mais produtiva. Além disso, tem se mantido com boa resistência contra a ferrugem e sempre apresenta boa qualidade dos frutos. Em trabalhos anteriores foram publicados resultados de produtividade de cafeeiros, da cultivar arara, em ensaios depois de alguns ciclos de esqueletamento. Na presente nota técnica objetiva-se relatar a condição de cafeeiros da cultivar arara, de um campo de observação, na Fda Experimental de Varginha, a cerca de 1000 m de altitude. O campo foi plantado em 2001, com 100 plantas e, nos últimos anos, foram realizados 4 ciclos de poda de esqueletamento. Observações feitas no campo, agora em 2026, mostraram esses cafeeiros apresentando vegetação intensa e alta carga pendente, conforme pode ser visto nas fotos ilustrativas. A estimativa de produtividade nessa safra é para mais de 100 scs por ha. Sabe-se que a boa recuperação das plantas, após podas drásticas, como o esqueletamento, é uma demonstração de vigor dos cafeeiros. Essa capacidade de recuperação da ramagem e a alta produtividade dos cafeeiros, observada no campo de demonstração é mais significativa diante da idade avançada das plantas, com 25 anos e do ciclo de poda também elevado, na 4a poda. Conclui- se, diante das observações efetuadas no campo, que cafeeiros da cultivar arara possuem alto vigor, uma característica muito importante para manter a lavoura produtiva por longo período, o que é uma necessidade, em se tratando de cultura perene, como a do café

  • Folha Técnica 810

    50 ANOS DE TECNOLOGIAS CAFEEIRAS Estamos completando 50 anos, na divulgação de tecnologias cafeeiras. Nesse período foram divulgados quase 13 mil trabalhos de pesquisa, visando melhorias na cafeicultura. Você está convidado a participar de uma edição muito especial, a 50ª , do Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, que vai acontecer, em Caxambu-MG, de 27-30 out/ 26. São, portanto, com muitos anos divulgando resultados tecnológicos, dando base para os avanços observados na cafeicultura brasileira. O Congresso visa reunir Técnicos - pesquisadores e extensionistas - e liderança de cafeicultores, buscando apresentar, discutir e difundir os últimos resultados e inovações oriundas dos trabalhos de pesquisa. Participantes das várias regiões cafeeiras do Brasil, das variadas Instituições, estarão presentes, trocando informações, que chegarão até os produtores na forma de práticas racionais e mais econômicas, para o manejo dos cafezais. No Congresso, mais de 600 participantes estarão nas sessões, as quais estão programadas abrangendo os diferentes setores da cultura cafeeira, desde a genética das variedades, a implantação dos cafezais, seus tratos culturais, até a colheita, preparo e qualidade do café. Foram organizados, também, Seminários de fim de tarde, onde são debatidos temas mais importantes do setor da produção cafeeira, com palestras de especialistas renomados.Fazem parte , ainda, da Programação, a exposição de Empresas fornecedoras de insumos usados nas lavouras de café e, no último dia, são demonstrados, em dia de campo, nesse ano na Fazenda Experimental de Varginha, resultados obtidos nos experimentos, mostrados ao vivo, coroando o encerramento do evento ali no campo, onde os resultados da pesquisa realmente devem chegar

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