Pesquisas

Cafe

Os trabalhos de pesquisa, em sua maioria, são conduzidos na Fazenda Experimental de Varginha, existindo ensaios em outros campos experimentais conveniados ou instalados em propriedades de cafeicultores colaboradores, em regiões como Carmo de Minas, Coromandel, Guapé, Machado, Santo Antônio do Amparo, Manhuaçu, Varjão de Minas, Pirapora, Martins Soares, Muzambinho, Machado, Perdões e Alfenas. Isto permite avaliar a adaptação e estabilidade de produção dos materiais genéticos em diferentes ambientes com variação para fatores: altitude, disponibilidade hídrica, temperatura e etc














Abaixo segue alguns dos nossos resultados de Pesquisa:


BANCO DE GERMOPLASMA



A Fundação de Apoio Tecnológico à Cafeicultura - Fundação Procafé é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada em 2001, em Varginha, MG. A Fundação em uma parceria entre o setor Público e o Privado assumiu, por comodato, o patrimônio do extinto Instituto Brasileiro do Café – IBC, atualmente do MAPA, e administra todo o banco genético deixado pelo IBC. A maior parte do banco de germoplasma é mantida na Fazenda Experimental de Varginha (FEV). Este campo experimental foi instalado em 1976 e, em 1977 foram iniciados os trabalhos de pesquisa. Materiais genéticos selecionados para o programa de melhoramento são também avaliados em locais distintos no estado de Minas Gerais (Boa Esperança, Carmo de Minas, Coromandel, Guapé, Manhuaçu, Martins Soares, Perdões, Pirapora, Varjão de Minas). Nestes locais são estabelecidas parcerias com produtores e/ou Instituições com comprovada experiência com a cultura do café, para a implantação de campos de observação, avaliação ou ensaios de competição entre cultivares.

Atualmente a Fundação possui catalogados em um banco de dados, 1518 acessos, em grande maioria materiais genéticos de Coffea arabica com diferentes graus de endogamia, sendo que parte destes materiais é utilizada no melhoramento genético. Neste banco podem ser encontrados acessos de cultivares que participaram da história da cultura do café no Brasil e também acessos de grande importância como fonte de características de interesse agronômico, tais como tolerância à seca, resistência a pragas e doenças, bebida especial e tamanho de sementes. No banco de dados estão sendo inseridos os dados de caracterização disponíveis para os materiais genéticos.

O programa de melhoramento desenvolvido pelo MAPA/ Fundação liberou para plantio comercial as cultivares Catucaí Vermelho e Amarelo; IBC Palma 1 e IBC Palma 2; Acauã, Canário, Sabiá tardio e Saíra, com resistência a ferrugem do cafeeiro. O programa trabalha também com o desenvolvimento de cultivares com resistência ao bicho mineiro.

Sementes

São fatores determinantes para a competitividade do produtor, uma lavoura bem formada e a escolha correta da cultivar a ser utilizada. Isto é possível com o uso de mudas vigorosas no plantio, formadas a partir de sementes de alta qualidade física, fisiológica, genética e sanitária, bem como, com o plantio de uma cultivar com elevado potencial genético e adaptada às condições do cultivo.

Sementes de café para comercialização devem apresentar uma percentagem mínima de germinação de 70%, ausência de insetos vivos e 98% de pureza. Em todo o território nacional, o processo de produção e comercialização de sementes e mudas segue uma legislação específica, que tem como objetivo a garantia da identidade e qualidade do material de multiplicação e de reprodução vegetal. As cultivares que podem ser comercializadas estão cadastradas no Registro Nacional de Cultivares (RNC) e qualquer agente envolvido neste processo (pessoa física ou jurídica) deve estar inscrito no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem). Estas informações são disponibilizadas pelo Ministério da Agricultura e podem ser obtidas no endereço
www.agricultura.gov.br.

A máxima qualidade das sementes de café é definida na maturidade fisiológica, quando a semente se desliga da planta mãe ao completar o seu desenvolvimento. Este estádio é facilmente determinado, pois está correlacionado com a maturação dos frutos, coincidindo com a mudança de cor "verde cana" para "cereja".

As sementes de café são obtidas pelo processamento "via-úmida" dos frutos, onde eles são despolpados, e as sementes liberadas. Este fruto é uma drupa contendo normalmente dois lóculos e duas sementes chatas plano-convexas, onde cada semente madura está envolvida por um endocarpo coriáceo, também conhecido como pergaminho. Podem ser formadas sementes do tipo moca, com formato ovalado, e que se origina do desenvolvimento de uma única semente, as quais apresentam qualidade fisiológica similar às das sementes chatas. Apesar de não reduzir o valor comercial dos grãos, sementes do tipo moca influenciam negativamente o rendimento do café que, segundo Matiello et al. (2005), pode ser reduzido em 9%, quando comparado ao grão chato. Existem ainda as sementes do tipo concha que resultam da separação dos grãos imbricados oriundos da fecundação de mais de um óvulo em única loja do ovário, e as sementes com formato triangular devido ao desenvolvimento no fruto de três ou mais sementes. Sementes do tipo concha e triângulo reduzem o valor comercial do lote, pois são descartadas ao final do beneficiamento como grãos quebrados. Abaixo, seguem alguns índices de conversões: 

Tabela 1: Índices médios de conversões na produção de sementes e mudas

Formas ou medidas de café

Formas ou medidas correspondentes

1 litro de café da roça

500 a 600 frutos/ 900 a 1000 sementes

8 litros de café da roça

1 kg de sementes selecionadas

1 kg de semente

3600 a 4400 sementes

1 kg de semente

1800 a 2200 mudas (2 sementes/ recipiente)














Após a retirada da mucilagem, as sementes passam então por uma secagem iniciada ao sol, em camadas mais espessas, e terminada à sombra. Secadores mecânicos também são utilizados. Para Coffea arabica, reduções no teor de água das sementes para até 10%, e armazenamento a 10°C favorecem a manutenção da qualidade das sementes por até 12 meses. O acondicionamento das sementes do café arábica deve ser realizado em embalagens permeáveis, tais como polipropileno trançado, juta, papel multifolhado ou algodão. Estas embalagens permitem que a umidade da semente entre em equilíbrio com a umidade do ambiente. É recomendado que o armazenamento seja realizado em locais com temperaturas amenas e bem arejado. Antes de serem acondicionadas, as sementes de café podem ser tratadas com fungicida protetor, visando o controle de Rhizoctonia solani.


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ESQUELETAMENTO DA LAVOURA E ADOÇÃO DO SISTEMA "SAFRA ZERO" DE MANEJO


A.L.A. Garcia (Fundação Procafé); T. Souza (Fundação Procafé); A.W.R. Garcia (MAPA/Fundação Procafé).



Esse sistema de manejo de lavouras foi aperfeiçoado na Fazenda Mangará, situada na cidade de Ouro Fino, Minas Gerais. Trata-se de uma sequência de operações com duração de dois anos, iniciada com o esqueletamento dos ramos do cafeeiro ainda com frutos, que após cortados, são colocados em uma "batedeira" para a separação dos frutos. Assim tem-se a lavoura esqueletada e a colheita parcialmente realizada, restando apenas um repasse para a retirada dos frutos localizados na porção dos ramos plagiotrópicos próxima ao tronco e a varrição. No primeiro ano agrícola após a poda, o cafeeiro apenas vegeta, caracterizando o sistema, pois não existe a produção de frutos. Justifica-se a adoção de práticas de manejo para que nesse período, o crescimento dos ramos seja pleno (adubações equilibradas, desbrotas, manejo de pragas e doenças e controle do mato).

   No ano agrícola seguinte, o cafeeiro reinicia sua fase reprodutiva, quando será realizada, novamente, o esqueletamento e a colheita simultaneamente entre os meses de maio-setembro.         O objetivo dos trabalhos conduzidos são determinar qual o melhor intervalo para se realizar a poda de esqueletamento, para o Sistema Safra Zero, em lavouras de café, de variedade porte alto (Mundo Novo) e de porte baixo (Catuaí). Nesses ensaios, a poda está prevista a cada dois anos, a cada três anos (duas safras) e a cada quatro anos (três safras), comparados com o sistema tradicional, com e sem decote.



RESULTADOS OBTIDOS:



Tabela 1. Média de produção, de três safras após o início do ensaio (1ª poda em 2003), com a cultivar Catuai Vermelho IAC144. Varginha, 2007.

TRATAMENTOS

PRODUÇÃO

05, 06 E 07
MÉDIA DE 3 ANOS

2005

2006

2007

1

Testemunha sem poda

60,2 

29,6

44,52

44,76 a2

2

Safra Zero a cada 2 anos (esqueletamento + decote a 1,7 m)

41,7 

0,0

51,3 

31,00 a1

3

Safra Zero a cada 3 anos

51,4 

47,1 

0

32,84 a1

4

Safra Zero a cada 4 anos

46,3

42,3

20,0

36,2 a1

5

Decote a 1,7 a cada 4 anos

44,4 

47,3 

29,4 

40,36 a2
















Tabela 2.
Média de produção, de três safras após o início do ensaio (1ª poda em 2003), com a cultivar Mundo Novo IAC 376-4. Varginha, 2007.

TRATAMENTOS

PRODUÇÃO

05, 06 E 07
MÉDIA DE 3 ANOS

2005

2006

2007

1

Testemunha sem poda

105,3

28,3

80,94

71,5 a3

2

Safra Zero a cada 2 anos (esqueletamento + decote a 2,0 m)

65,5

0,0

92,5

52,7 a2

3

Safra Zero a cada 3 anos

76,5

30,5

0,0

34,9 a1

4

Safra Zero a cada 4 anos

78

44,5

40,31

56,6 a2

5

Desponte + decote a 2m a cada 2 anos

86,5

0

70,0

52,2 a2

6

Esqueletamento + decote a 1,4m a cada 4 anos

50,0

68,0

26,88

48,3 a2

7

Decote a 2,0 m

64,4

50,2

32,5

49,0 a2




























CONSIDERAÇÕES:


         O déficit hídrico nos últimos anos (2000 a 2007), registrado acima da média histórica para a região, afetou o desenvolvimento das plantas após a poda comprometendo parte da produção.

        Altos índices de ferrugem no ano de "safra 0", quando a planta encontra-se em crescimento vegetativo, foram observados. Isto mostra a necessidade de controle com produtos sistêmicos, a fim de se garantir um bom crescimento de ramos e enfolhamento da lavoura.

   O uso dos diferentes sistemas de poda reduziu a produção em relação as plantas não podadas.

         O sistema Safra Zero respondeu melhor quando realizado após a primeira e a terceira safra, respeitando a bienalidade do cafeeiro. Sendo importante comentar que a resposta de lavoura a podas é dependente de diferentes fatores que interagem entre si, o que não nos permite criar uma "receita de bolo" para seguir, sendo necessário um estudo com planejamento criterioso nas lavouras, para realizar os tratos necessários nas horas corretas.

         As distancias de corte dos ramos laterais ( 20 cm esqueletamento ou 40 cm desponte), não conferiram diferenças na produção das plantas.

         As vantagens na redução de custo do sistema safra zero, podem não ser suficientes para cobrir as perdas de safra pelo uso de poda, o que sugere um estudo de custos a médio prazo.
 
Esqueletada
Figura 1. Lavoura esqueletada.
         Após esqueletamento
Figura 2. Ano seguinte após esqueletamento